Entrevista:O Estado inteligente

domingo, abril 09, 2006

IMAGEM DESCOLADA

EDITORIAL DA FOLHA
IMAGEM DESCOLADA
 
A nova pesquisa Datafolha para a Presidência mostra que não se alterou a margem de liderança de Luiz Inácio Lula da Silva. O que seria notícia menor em tempo de normalidade política ganha relevo no contexto de desgaste agudo por que veio passando o governo federal nas últimas semanas. Com 40% das intenções de voto -eram 42% anteriormente-, Lula preservou seu favoritismo a despeito do escândalo que foi a violação do sigilo do caseiro Francenildo Costa.
O desvelamento da trama delituosa urdida na cúpula da Fazenda -que derrubou e incriminou o principal ministro petista- tampouco produziu avaria na avaliação do presidente da República e de sua gestão. Mantendo patamares da pesquisa de meados de março, 37% consideram ótimo ou bom o seu governo e 46% avalizam seu desempenho pessoal.
O que deve gerar alívio no governismo provavelmente despertará preocupação entre os apoiadores de Geraldo Alckmin. Diferentemente do que ocorreu no escândalo do mensalão, desta feita as notícias dos desmandos no Executivo federal não incrementaram as chances do tucano.
O ex-governador paulista, com 20% das intenções de voto -detinha 23% em março-, além de ter mantido sua desvantagem em relação a Lula na casa dos 20 pontos percentuais, viu deteriorar a sua margem ante o terceiro colocado: o peemedebista Anthony Garotinho passou de 12% para 15%. Alckmin perdeu 6 pontos percentuais no Sul (onde agora empata com Garotinho) e 5 no Sudeste, regiões em que se situava bem próximo de Lula na sondagem anterior.
Neste momento, as pesquisas têm impacto ponderável nas definições de alianças partidárias. O cenário que se desenhava até aqui era de um certo isolamento de Lula, em dificuldades para atrair outras siglas. Do outro lado, aumentava a expectativa tucana de contar não apenas com o PFL (seu tradicional aliado) mas também com o PMDB, que ia aos poucos deixando de lado a idéia de sustentar candidatura autônoma.
Se o resultado do Datafolha tiver algum efeito nesse jogo preliminar da sucessão, será no sentido de dar alento às pretensões do ex-governador do Rio -seja reforçando a idéia da chapa própria, seja aumentando o poder de barganha do PMDB e especialmente de Garotinho.
Negociações entre partidos à parte, a manutenção das chances eleitorais e da popularidade do presidente da República depois de semanas de crise -e a perspectiva de que lhe seja favorável a evolução do emprego, da renda e dos benefícios sociais nos próximos meses- torna o jogo bem mais difícil para a oposição. Os adversários de Lula contam decerto com um efeito-desgaste a ser provocado no governista pela exploração dos escândalos de corrupção durante a campanha televisiva. Cabe perguntar se será o bastante para reverter o favoritismo do petista.

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