"O plenário da Câmara dos Deputados tem hoje a oportunidade histórica de resgatar a dignidade da presidência da Casa.
Não há precedente na história do Legislativo brasileiro de um ex-presidente da Câmara que tenha envolvido o cargo, o segundo na linha de sucessão da República, pois vem logo depois do vice-presidente, num escândalo de corrupção das proporções atuais.
Ibsen Pinheiro, ex-presidente da Casa, também foi cassado, mas por acusações de mau comportamento como deputado. Ibsen não arrastou a presidência da Câmara na lama.
Diferente é o caso do deputado João Paulo Cunha, do PT de São Paulo. Pesam contra ele várias acusações, praticamente todas associadas ao escândalo do mensalão e do valerioduto.
João Paulo elegeu-se presidente da Câmara em chapa única, mas a bordo de uma caríssima campanha publicitária.
Recebeu presentes do amigão Marcos Valério. Sua secretária também. Usou dinheiro da Câmara para fazer pesquisa sobre suas chances como candidato do PT ao governo de São Paulo.
Do valerioduto, sua mulher sacou R$ 50 mil reais. O deputado tentou negar, alegando que sua mulher tinha ido ao banco tratar de uma conta de TV a cabo.
Depois, pensou seriamente em renunciar para escapar à cassação. Convencido por José Dirceu, enfrentou o processo.
Até agora, parece que Dirceu tinha razão, porque os mensaleiros não páram de ser absolvidos no plenário.
Já foi melhor a situação do deputado João Paulo Cunha. Era cassação na certa, depois que o plenário absolveu o primeiro mensaleiro confesso, o deputado Romeu Queiroz.
Mas o tempo passou, a Câmara decidiu desprezar a opinião pública, e mais mensaleiros foram absolvidos.
Tudo parecia correr muito bem para João Paulo, quando a deputada Ângela Guadagnin decidiu dançar no plenário, chocando a sociedade brasileira.
Piorou bastante a situação do deputado.
E o relatório do deputado Osmar Serraglio sobre o mensalão e as estripulias da dupla Delúbio-Marcos Valério foi muito rigoroso com o deputado João Paulo, quando tratou dos contratos entre Marcos Valério e a presidência da Câmara.
Hoje ninguém arrisca palpite sobre o resultado da votação. É a tal história: voto secreto, clima de pizza no plenário.
Mas a opinião de vários deputados é que é mais fácil cassar peixes grandes, como Roberto Jefferson, José Dirceu, Pedro Correia, e, por que não, João Paulo Cunha?
Por tudo isso, o dia de hoje promete fortes emoções."
Enviada por: Ricardo Noblat