Entrevista:O Estado inteligente

quinta-feira, fevereiro 09, 2006

Lucia Hippolito na CBN:O fim do chaveirinho


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"Se tudo correr como previsto, será votado hoje de manhã na Câmara o projeto de lei que diminui os gastos em campanhas eleitorais. O texto veio do Senado, escrito meio às pressas, como resultado da forte reação da opinião pública desde que esta crise horrorosa começou, em junho do ano passado.


O projeto proíbe que os partidos gastem dinheiro em brindes, como lápis, chaveiro, ventarola, camiseta, boné. Proíbe a realização de showmícios e outdoors para candidatos a deputado federal e estadual. Candidatos a senador, governador e presidente continuam podendo espalhar outdoors pelo país todo.


Além disso, ficam proibidos também o telemarketing, os trios elétricos e anúncios pagos em jornais.


A partir de 6 de agosto, a cada 30 dias os partidos ficam obrigados a divulgar na Internet as contas de campanha, ainda sem os nomes dos doadores, que é para não espantar a caça. Só na prestação final das contas de campanha é que os partidos ficam obrigados a divulgar os nomes dos doadores, sejam pessoas físicas ou jurídicas.


Pode ser que suas Excelências considerem que, proibindo a distribuição de chaveirinhos, as campanhas eleitorais ficarão mais baratas. Mas todo mundo sabe que a maior despesa de uma campanha é com o marqueteiro e a produção dos programas de rádio e TV.


Em 2006, marqueteiro virou uma profissão de risco. As estrelas das últimas eleições declaram que ficarão fora desta campanha. Mas, ainda assim, é preciso fazer programas minimamente atraentes, para entusiasmar o eleitorado.


Afinal, eleição é para discutir programas e propostas de governo? É. Eleição é para discutir ética e o caráter dos candidatos? É claro que é.


Mas eleição também é festa, é entusiasmo, é empolgação dos eleitores.


Num país festeiro como o Brasil, eleição sem trio elétrico, sem showmício, com programas de rádio e TV bem pobrinhos, só o candidato falando o tempo todo, como na antiga Lei Falcão da ditadura, quando aparecia apenas o retrato em 3X4 do candidato e um locutor lendo seu currículo em off, pode ser uma eleição muito mais barata.


Mas será uma eleição infinitamente mais desinteressante. Ou seja, uma eleição chatíssima.


A aprovação do projeto pode ser uma resposta à sociedade, mas não acaba com o caixa 2 nem com as tenebrosas transações entre candidatos e financiadores.


Acaba só com a camiseta, o boné, o chaveirinho e a festa."

Enviada por: Ricardo Noblat

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