| Dora Kramer - Serra não será se não quiser |
| O Estado de S. Paulo |
| 7/2/2006 |
A decisão só depende de o prefeito medir e pesar os fatores de risco da candidatura Os partidários de Geraldo Alckmin no PSDB vão detestar ouvir isso - até porque em público nada se diz -, mas as águas do reino tucano hoje caminham para a escolha de José Serra como candidato à Presidência da República. De certa forma, o prefeito de São Paulo também não gosta que se revele o que vai às mentes dos cartolas do PSDB, porque nesta altura dos acontecimentos a divulgação dessa evidência não atende à sua estratégia de ganhar tempo até a decisão final, depois do dia 20 de março. Mas fato é que na cúpula do partido o que se ouve é isto: tudo depende de Serra dizer que quer ser ele o candidato e está disposto a deixar a Prefeitura de São Paulo com os ônus e os bônus que a decisão acarreta. A questão, entretanto, é que o prefeito realmente ainda não decidiu se Paris vale uma missa. Examina o humor do eleitorado paulista face à antiga promessa de não deixar a Prefeitura antes do fim do mandato, leva em conta o inequívoco apoio do oponente no Estado, aguarda a escolha do candidato do PMDB nas prévias de 19 de março, analisa as preferências dentro do partido e observa a evolução do patrimônio eleitoral do adversário, o presidente Luiz Inácio da Silva. Neste último ponto, há um dilema especial: ao mesmo tempo que a recuperação de Lula indicaria ser mais prudente apostar em Geraldo Alckmin que não tem preços a pagar ao deixar o governo já no fim do mandato, a subida do presidente aumenta a pressão do PSDB por um candidato já estabelecido na condição de contraponto pelos índices registrados nas pesquisas. Embora pesquisa não seja tudo, não represente o retrato fiel de um voto a ser dado daqui a oito meses, não é uma variável desprezível. Nesta, Serra ocupa a dianteira, mas Alckmin também não faz feio porque as pesquisas qualitativas mostram que ele consegue agradar ao eleitor à medida que vai sendo conhecido por ele. Então, onde reside a vantagem de Serra, principalmente dentro daquele núcleo que comanda os movimentos do sol e da chuva dentro do PSDB? Na convicção de que ele estaria pronto para governar o País. Uma certeza presente ao espírito de tucanos até outro dia opositores de Serra, como Tasso Jereissati. Aécio Neves também considera o prefeito um porto mais seguro e Fernando Henrique Cardoso tampouco tem dúvida a respeito. Mas nenhum deles, e muito menos o prefeito, consideram que seja prudente ao partido encaminhar o processo na base da "cotovelada". Melhor levar na maciota, deixar as coisas acontecerem e é assim que José Serra - contrariando seu temperamento - tem se conduzido: fica relativamente em silêncio, evita responder às provocações do outro lado e mantém uma imobilidade aparente tão bem estudada que quase convence o observador pouco atento à sua movimentação paralela para garantir apoios dentro e fora do partido no intuito de desfazer atritos do passado e arestas do presente, uma delas com o setor financeiro. A impressão que dá é a seguinte: Serra é o candidato, mas há uma possibilidade de não ser e, caso esta venha a prevalecer, não se quer transmitir a imagem de derrota e de divisão interna inconciliável. Os astros O prefeito José Serra conversou longamente com o astrólogo Quiroga e dele ouviu um conselho: não tomar nenhuma decisão sobre nada até o dia 18 de fevereiro. Pelo sim, pelo não, Serra segue à risca. Inclusive porque tem um ótimo pretexto para ficar calado. Pôquer Amigos de muito tempo, Serra e o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, teriam um encontro em São Paulo no fim de semana. Nada de conversa oficial, só bate-papo. Mas ambos iriam dispostos a obter do outro o máximo de informações sobre o campo adversário. Internamente "armados", tudo indicava que nenhum dos dois teria muito sucesso em seus intentos. Faz-de-Conta O PSDB acusa o presidente Lula de postergar o anúncio da candidatura para poder fazer campanha livre das restrições legais que impedem o uso eleitoral da máquina administrativa. Mas na seara tucana recorre-se ao mesmo artifício: o termo "campanha" está vetado do vocabulário dos grupos que rodeiam o prefeito e o governador de São Paulo. Mais assumido, Alckmin deixa oficialmente o governo para participar de atos partidários, não recebe como governador e movimenta-se em aviões de carreira. Lacuna Responsável pela indicação de Nelson Jobim para o Supremo Tribunal Federal, o ex-presidente Fernando Henrique vê com reservas (para dizer o mínimo) as atitudes de Jobim, mas se desconforta especialmente com o fato de ele deixar o STF e abrir mais uma vaga de ministro para Lula preencher. |
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