Augusto Nunes
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Um empregão: Amigo do Homem
O cartão de visita de Marco Aurélio Garcia, enfeitado pelas armas da República, identifica e localiza o assessor especial da Presidência para Assuntos Externos. O nome é bonito, mas o cargo é tão verdadeiro quanto a ameaça extraterrestre invocada pelo presidente como justificativa para o que não fará nos próximos quatro anos. O emprego real de Garcia é menos vistoso, mas abrange poderes maiores: Amigo do Homem.
Um dos fundadores do PT, esse sessentão gaúcho, professor de história internacional, negou-se a engrossar a diáspora dos intelectuais. Alguns partiram depois que a estrela vermelha ganhou matizes róseos demais. Outros, quando o partido se aliou a gente cuja aproximação recomenda que se tire as crianças da sala. E houve os que se foram quando Lula e seus pastores rasgaram o discurso e adotaram a ética dos fora-da-lei.
Marco Aurélio Garcia ficou. Depois de quase quatro anos, sabe-se que um assessor especial para Assuntos Externos é um terço de chanceler. Outro terço é encarnado pelo chanceler Celso Amorim. O restante atende pelo nome de Samuel Pinheiro Guimarães.
Amorim brinca de titular do Ministério das Relações Exteriores inteiro. Faz as melhores viagens (vestindo pijamas com listras, e na primeira classe). Também faz bicos como intérprete do presidente monoglota que promoveu, por escrito, a "Nosso Guia".
Samuel, secretário-geral do Itamaraty, toma conta da casa. Promove ou rebaixa diplomatas, remete alguns ao purgatório, escreve livros ilegíveis e fala mal dos Estados Unidos. "É o gerentão", resume um velho embaixador, aturdido com o que anda vendo.
Marco Aurélio Garcia posa de especialista em América Latina e países primitivos em geral. Confusões no Quinto Mundo? Lula manda logo chamar, na sala ao lado, o companheiro que tudo sabe e tudo vê em matéria de turbulência nos grotões. Garcia nunca deixa pergunta sem resposta.
Se o que diz faz sentido ou não, isso para Lula é rigorosamente irrelevante. Nas relações com amigos de fé, o presidente quer é ouvir algum palpite. E Garcia não nega fogo. Quando o boliviano Evo Morales expropriou os ativos da Petrobras, por exemplo, deu razão à Bolívia.
Com tempo de sobra, o amigo de Lula agora deu de intrometer-se em assuntos internos. Há dias, atacou "alguns deformadores de opinião" - não identificou nenhum - que agem como "golpistas" contra o presidente Lula.
Essa gente faz qualquer negócio para manter o emprego.
Façamos a dupla abrir o bico
O deputado José Janene, mensaleiro chefe do PP do Paraná, teve a cassação recomendada há um ano pelo Conselho de Ética da Câmara. Continua impune. E enriquecendo, claro.
O senador Nei Suassuna, sanguessuga-rei do PMDB da Paraíba, colecionou por anos a fio negociatas com ambulâncias. Agora na mira da polícia, faz campanha para renovar o mandato.
Janene e Suassuna já avisaram: se a turma insistir em levá-los à guilhotina, outras cabeças rolarão. Apertem a dupla, ó parlamentares de bem. Essa é a melhor promessa da campanha.
Sempre com uma dúvida...
... na manga, o Cabôco Perguntadô tem acompanhado com perplexidade a performance de Marco Aurélio Mello, presidente do Tribunal Superior Eleitoral. Em tese, o ministro é um implacável caça-corruptos. Na prática, tem permitido que a impunidade prevaleça. O Cabôco quer saber: Qual Marco Aurélio estará em vigor na reta final da campanha eleitoral?
Aproveitem a oportunidade
Continuam a circular na internet alguns achados memoráveis. A frase da semana se inspira no desfile diário de pilantras na televisão comercial: "Não deixe de assistir ao horário eleitoral gratuito. Talvez seja a única oportunidade de ver políticos brasileiros numa cadeia nacional".
Eficácia comprovada
Muitos leitores querem saber do colunista se existem bons candidatos a deputado federal. Claro que sim. Três exemplos: Fernando Gabeira, do PV do Rio de Janeiro, Raul Jungmann, do PPS de Pernambuco, e Dimas Ramalho, do PPS de São Paulo. Não há contra-indicações.
Concebido para imortalizar...
... também frases cretinas, o Troféu Yolhesman Crisbelles vai para o Supercampeão, pela frase com que justificou as demissões na Volks, provisoriamente suspensas:
No mundo do trabalho é assim. Quando a empresa produz mais, ela contrata mais. Quando está produzindo menos, descontrata.
Na Lua de Lula, ninguém demite. Só descontrata.