OESP
'Alckmin está na zona de risco'
Dora Kramer
Se o Brasil fosse um país politicamente organizado e previsível, o prefeito do Rio de Janeiro, César Maia (PFL), diria que Geraldo Alckmin não está errado em deixar para começar de fato a campanha à Presidência da República em agosto, depois da Copa do Mundo, no horário eleitoral gratuito de rádio e televisão.
Como não há organização nem previsibilidade no cenário político, ele considera que o PSDB está perdendo um tempo precioso no início do "desmonte" da candidatura do presidente Luiz Inácio da Silva e na montagem de Alckmin como alternativa ao eleitorado contrário à reeleição.
Os tucanos, na opinião do prefeito do Rio, nesta altura já deveriam ter um diagnóstico dos pontos fortes e fracos do candidato, das limitações a serem ressaltadas no adversário, uma agenda de fatos a criar ou a explorar e principalmente um plano de ação senão em andamento, pelo menos em preparação.
No lugar disso, o que César Maia enxerga, na perspectiva de um observador atento de "mais de 90 campanhas" no Brasil e no mundo, é paralisia, arrogância - "já viu o tamanho do salto que eles usam?" - e "fricção" interna de posições. "Alckmin tem esquema dele, Tasso Jereissati o dele e as duas equipes não se entendem."
Resultado, ninguém sabe realmente o que fazer. "Não há estratégia." E, se há, diz, ninguém no PFL, o partido do candidato a vice, foi informado a respeito.
"Na Europa haveria tempo de sobra, nos Estados Unidos, onde tudo é feito com antecedência e muita técnica, a candidatura estaria liquidada. Aqui, estamos num meio termo, mas já entrando na zona de perigo. A campanha está atrasada, há excesso de confiança na decepção do eleitorado com Lula e carência de ação", diz.
Para o prefeito, o PSDB precisa acordar, sair da letárgica soberba dos que se pressupõem destinados a recuperar o poder pela força da inércia e começar a despertar as emoções do eleitor. Está faltando paixão, negativa e positiva.
"Se entrar no mês de junho com a mesma concepção de que Lula perderá a eleição para ele mesmo, que tudo se resolverá no horário eleitoral e que basta fazer um debate de propostas de governo para ganhar a eleição, o PSDB pode ter uma surpresa desagradável."
Publicidade eleitoral e marketing político, na concepção do prefeito, não resolvem. "Nunca vi marqueteiro ganhar eleição, mas já vi perder. Quem faz a campanha é o desempenho do candidato sustentado por uma estrutura muito bem organizada e executada."
César Maia critica a falta de senso de Geraldo Alckmin para aproveitar as oportunidades eleitorais. Seja no aproveitamento de uma cena para uma boa foto, seja na palavra firme e assertiva no momento exato. Ele lembra que quando estava disputando com José Serra a indicação do PSDB, Alckmin "fez o discurso certo para o público interno e para os segmentos que lhe dariam apoio, como a burguesia paulista".
Uma vez indicado candidato, recolheu-se. "Ele fez como o jogador de xadrez que dá um lance, não prevê os próximos e leva um xeque-mate do adversário." Se se mantiver na posição de mover suas peças só em agosto, o prefeito vê o risco de o candidato ser "emparedado" por Lula.
César Maia lembra que não se pode subestimar o poder de fogo de um candidato à reeleição com a prerrogativa de concorrer no cargo. "De 1998 para cá, 92% dos prefeitos, governadores e presidente candidatos à reeleição chegaram a segundo turno e 85% deles ganharam." A estatística não é determinante, mas também não pode ser desprezada, aponta.
"A maioria é conservadora. Mesmo quando está insatisfeita, se não vê alternativa viável e segura, tende a preferir manter as coisas como estão. Até por medo de mudar ou de errar feio na escolha."
O prefeito acha surpreendente que o PSDB não tenha definido ainda quais os valores a serem defendidos pelo candidato a presidente, a fim de permitir ao eleitor fazer uma nítida contraposição entre os principais adversários.
Considera inadmissível a campanha não dispor de pesquisas detalhadas sobre como atingir o presidente que, segundo o pefelista, também não está com a vida ganha. "O segundo turno é inevitável e Lula muito vulnerável; é preciso descobrir que adjetivos negativos fariam uma boa tradução de seus piores momentos."
Mas o "desmonte" da figura do oponente não basta. "É preciso que Alckmin seja visto pelas pessoas como o receptor natural dessa insatisfação", como "uma esponja pronta para absorver a água que escorre da candidatura do outro", compara. Eleitores dispostos a fazer essa transposição há milhões, diz o prefeito, "isso não falta".
Por enquanto, acredita o prefeito César Maia, falta mesmo é Geraldo Alckmin fazer algo mais que se apresentar como um bom sujeito, uma pessoa correta, e ir à luta tratando de suprir a ausência de "luminosidade" natural por um esforço estratégico, organizado e científico para comunicar suas virtudes ao eleitorado. "Quem não tem carisma como dom, precisa desenvolvê-lo e Alckmin até agora não desenvolveu."
Entrevista:O Estado inteligente
- Índice atual:www.indicedeartigosetc.blogspot.com.br/
- INDICE ANTERIOR a Setembro 28, 2008
Arquivo do blog
-
▼
2006
(6085)
-
▼
maio
(558)
- Villas-Bôas Corrêa Lula no país das maravilhas
- DORA KRAMER Uma boa e doce vida
- Cultura cívica de papelão Luiz Weis
- José Nêumanne A gala dos tucanos no baile dos peti...
- Investimentos externos brasileiros
- Coleção de erros
- Gabeira e Renan batem boca sobre sanguessugas
- Míriam Leitão - Tempos piores
- Merval Pereira - Dois modelos
- Luís Nassif - O homem errado
- Jânio de Freitas - Serviços e desserviços
- Fernando Rodrigues - O vice de Lula
- Clóvis Rossi - Aconchego
- Celso Ming - Reforço da cautela
- Carlos Heitor Cony - Mentiras institucionais
- Lucia Hippolito na CBN:O voto dos funcionários púb...
- Primeira Leitura : Reclamando e andando Por Lilia...
- Miriam Leitão on line - Ministro da agricultura cu...
- A demissão de Furukawa
- A reeleição de Uribe
- Brasil cresce menos que concorrentes
- Chega de encenação PAULO SÉRGIO PINHEIRO
- Democracia Ali Kamel
- Dois países
- Estrangeiros reavaliam planos para AL
- Arnaldo Jabor - A herança de FH vai reeleger o Lula
- Carlos Heitor Cony - O futuro de Lula
- Clóvis Rossi - O trambique desce redondo
- Luís Nassif - A gestão na área social
- Valdo Cruz - Não se anule
- Celso Ming - A Petrobrás acorda a tempo
- Dora Kramer - A musa dos descontentes
- Luiz Garcia - A imprensa menos livre
- Merval Pereira - O fator Aécio
- Míriam Leitão - Juros e PIB
- Lucia Hippolito na CBN Reforma na Constituição
- Touraine, Castañeda e o Virundum Por Reinaldo Azevedo
- Fernando Gabeira Os bandidos na mesa do café
- Miriam Leitão on line -Semana tera juros em queda ...
- Mortos e vivos - Denis Lerrer Rosenfield
- Duas crises, dois atraso - Carlos Alberto Sardenberg
- Chantagem política Paulo Guedes
- Chantagem política Paulo Guedes
- O REAL -Ex-cabo eleitoral de FHC, real vai ajudar ...
- Fernando Rodrigues - Uma lei pró-PT
- Lucia Hippolito na CBN:Um passo à frente e dois atrás
- Inevitável fim do fôlego RICARDO AMORIM
- AUGUSTO NUNES SETE DIAS JB
- AUGUSTO NUNES SETE DIAS
- AUGUSTO NUNES CPI LANÇA CANDIDATO DO PCC
- A gregos e troianos Mailson da Nóbrega
- Bernanke se corrige e aceita 2% de inflação Albert...
- Os desacertos de Mantega Suely Caldas
- Falha dos bancos centrais (2)Celso Ming
- Embate de personalidades Dora Kramer
- Um alerta para o Itamaraty
- O pára-quedista e o alpinista Gaudêncio Torquato
- A crise é de autoridade
- Oposição sem rumo
- Falta horizonte
- CLÓVIS ROSSI O tiroteio continua
- VALDO CRUZ Guerra e paz
- CARLOS HEITOR CONY Aparecer para crescer
- JANIO DE FREITAS Picadinho (sem gosto)
- RUBENS RICUPERO Crise mundial: ameaça ou oportunid...
- LUÍS NASSIF O MoMA e o Masp
- FERREIRA GULLAR Papo brabo
- Como ganhamos a Copa de 58JOÃO UBALDO RIBEIRO
- Merval Pereira
- Miriam Leitão Fim da semana
- Lula e a Revolução Francesa Por Reinaldo Azevedo
- Uma eleição sem espaço para o populismo
- MILLÔR
- Lya Luft Vamos fazer de conta
- VEJA Entrevista: José Manuel Durão Barroso
- André Petry Eles não passarão
- Diogo Mainardi Gabeira para presidente
- Roberto Pompeu de Toledo Seleção brasileira de est...
- Lula se torna o guardião da política econômica
- Márcio Thomaz Bastos abafa todas
- Cresce o poder de compra dos mais pobres
- A bancada de José Dirceu
- TSE corta o custo das campanhas
- Duda fez e continua fazendo
- CELSO MING Falha dos bancos centrais (1)
- Crise do gás - momento de reflexão Opinião Josef B...
- DORA KRAMER De rotos e esfarrapados
- Um déficit explosivo
- As razões do favoritismo
- Moral em concordata Mauro Chaves
- CARLOS HEITOR CONY Os palhaços
- GESNER OLIVEIRAEconomia contra o crime
- Delírio ideológico
- Merval Pereira De pernas para o ar
- Zuenir Ventura Contra o crime virtual
- Miriam Leitão O senhor tolere
- Lucas Mendes Idolatria americana (idolatria e geog...
- A FORÇA DE LULA por Denis Rosenfield
- Adeus, hexa Guilherme Fiuza
- Agosto Por Liliana Pinheiro
-
▼
maio
(558)
- Blog do Lampreia
- Caio Blinder
- Adriano Pires
- Democracia Politica e novo reformismo
- Blog do VILLA
- Augusto Nunes
- Reinaldo Azevedo
- Conteudo Livre
- Indice anterior a 4 dezembro de 2005
- Google News
- INDICE ATUALIZADO
- INDICE ATE4 DEZEMBRO 2005
- Blog Noblat
- e-agora
- CLIPPING DE NOTICIAS
- truthout
- BLOG JOSIAS DE SOUZA