BRASÍLIA - O novo Datafolha mostra que Lula e Alckmin estacionaram, o que é ótimo para Lula. Ele bateu no sólido teto de 40%, e Alckmin não decolou como imaginava, ficando 20 pontos atrás.
A surpresa é Garotinho, com apenas 5 pontos a menos que Alckmin, o que embaralha o segundo lugar e mexe com os nervos dos partidos. Lula está acima do PT, das demais siglas e de toda essa lambança, inclusive do caso do caseiro e da queda de Palocci. Mas Alckmin precisa de um PSDB coeso e aguerrido, de um PFL confiante e de um PMDB disponível. O Datafolha estremece tudo isso.
Para acompanhar o quadro eleitoral, é preciso um olho nas pesquisas e outro no PMDB. Para onde elas vão, ele vai. O PMDB pulou do barco de Lula no final de 2005, pulou de volta no início de 2006 e agora, com a erosão do governo, já ameaçava pular novamente. Com a pesquisa, esse movimento deve ser interrompido.
O fator Garotinho, aliás, paralisa qualquer movimento peemedebista. O PSDB foi capaz de trocar o candidato certo pelo não sabido. O PMDB será capaz de expelir um candidato que cresce em intenção de votos, cai em rejeição e ameaça chegar ao segundo turno? Para os governistas, é importante tirá-lo. Para os oposicionistas, mantê-lo é questão de vida ou morte -como é para Alckmin.
Seu drama: se Garotinho correr, Lula pode ganhar no primeiro turno; se ficar, Alckmin corre o risco de perder a vaga do segundo turno para ele. Isso, é claro, assanha as penas tucanas, porque Serra se desincompatibilizou da prefeitura para disputar o governo, mas, na prática, está disponível para vôos mais altos. A troca de candidatos seria de uma ousadia incompatível com a prudência tucana. Mas sua lembrança tem um efeito prático: enfraquece ainda mais a posição política e eleitoral de Alckmin.
Quanto a Heloísa Helena: pode ser decisiva para os tucanos, porque um pontinho a mais ou a menos pode ser fundamental no primeiro turno.
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