| Brasil - A regra do jogo e a vantagem de Lula |
| César Felício |
| Valor Econômico |
| 3/2/2006 |
O grito de guerra "Ladrão, não mais!", do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e a assunção ao noticiário da pseudo-lista de Furnas, 48 horas depois, é o primeiro indício do que poderá ser a sucessão presidencial deste ano. Cópia de uma cópia, texto com assinatura renegada, o documento é de uma suspeitíssima transparência: por suas páginas, desfilam de mãos dadas com altas quantias supostamente desembolsadas por fornecedores e clientes da estatal quase todos tucanos e pefelistas relevantes em São Paulo, Minas Gerais, Bahia e Rio de Janeiro que disputaram eleições em 2002. Ainda há uma boa penca de pemedebistas, um ou outro representante do PP, PL e PTB e candidatos esparsos no Mato Grosso, Maranhão, Pernambuco, Paraná e Santa Catarina. Tudo bonitinho e sem rasuras, com papel timbrado da empresa e firma reconhecida em cartório. "Bom demais para ser verdade", admitiu há algumas semanas um cacique petista, antevendo o paradoxo: dossiês como esses, ainda que muito duvidosos, tendem a levar a campanha para muito longe de um mar de lama. A possível falsidade não tira do documento o poder de causar confusão. Em outras sucessões presidenciais, houve as cartas falsas de Arthur Bernardes, Plano Cohen, Carta Brandi e Dossiê Cayman. É a lógica do equilíbrio do terror, que impedia Estados Unidos e União Soviética de dispararem o botão durante a guerra fria: para cada Land Rover e cuecas cheias de dólares, haverá um maná de denúncias chovendo no céu tucano. Se tudo for realçado, relativiza-se a campanha negativa e perdem pontos ambos os lados. Quem lucraria seria um eventual candidato à terceira via. Com o céu encoberto, os guerreiros do PT e do PSDB travarão seu combate dentro de limites. Algo como ocorreu em 1994, 1998 e 2002. Nas três sucessões, denúncias pesadas sobre caixa 2 e a vida pessoal dos principais candidatos circularam nas sombras, sem que a regra do jogo fosse rompida. No meio empresarial, estas ameaças de incêndio são vistas como cheiro de vento soprando a nuvem para longe do Planalto. Um dirigente do setor do comércio, tradicionalmente identificado com a direita política, acha que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva começa a disputa com uma vantagem sólida sobre os rivais que ultrapassa a das pesquisas de opinião. "Na hora em que era preciso fazê-lo sangrar até o fim, a oposição decidiu poupá-lo. Agora, qualquer denúncia será vista como baixaria de campanha. Lula sobreviveu à crise e chega muito mais forte do que todos esperavam para a reeleição", afirmou o empresário.
É uma força relativa: "Nunca neste país", para usar uma expressão tão do agrado do presidente, se viram dirigentes de entidades patronais pedindo reserva para afirmar que o chefe de Estado está fortalecido. Mas é um avanço em relação a 2002. Há quatro anos, empresários, banqueiros, investidores em geral votaram contra o presidente e temeram consequências graves com a sua vitória. Hoje continuam majoritariamente votando contra Lula, mas ninguém aposta em disparada de dólar, risco-país e outros sinais de pânico no mercado caso o petista triunfe. Reina, neste ambiente, uma certa tranqüilidade. Prefere-se a vitória do PSDB. As possibilidades de Anthony Garotinho ou Germano Rigotto não são sequer consideradas. O presidente é visto como um homem que, no fundo, não tem compromissos maiores com a economia de mercado e busca apenas sua sobrevivência política. Há uma crença generalizada de que o governador Geraldo Alckmin é melhor candidato do que o prefeito paulistano José Serra, mas que o último deve ganhar a disputa interna do PSDB, seja pela posição nas pesquisas, seja pela agressividade nos bastidores. Suspeita-se, de maneira consistente, que Serra perderá a disputa contra Lula. Terá contra si, fundamentalmente, a dificuldade de controlar a agenda da sucessão. Se o caminho da denúncia é perigoso, o do confronto entre administrações federais petista e tucana tampouco parece seguro. A sociedade como um todo deseja mudanças, não uma luta entre o hoje e o ontem, diz este empresário. E inicia-se, então, a elaboração de cenários de um segundo mandato presidencial. A visão que predomina no meio patronal é que Lula tenderia a ser um presidente politicamente mais enfraquecido e mais conservador, dado que teria um PT menor e uma dependência maior do PMDB. Mas que manteria inalterados os pressupostos da política econômica e quem sabe até a mesma equipe no Ministério da Fazenda. |
Entrevista:O Estado inteligente
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A regra do jogo e a vantagem de Lula
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