| Merval Pereira - Rejeição e aprovação |
| Merval Pereira |
| O Globo |
| 7/2/2006 |
Para quem já fora dado como virtualmente reeleito, os resultados das recentes pesquisas de opinião não deveriam servir de consolo. Mas para o presidente Lula pós-mensalão, voltar aos mesmos patamares de popularidade que tinha antes da primeira entrevista do ex-companheiro Roberto Jefferson, denunciando a distribuição de propinas pela base partidária governista, é uma boa notícia. Com uma diferença: embora a aprovação do governo Lula fosse a mesma, 35% então, contra 36% hoje, a taxa de reprovação, dos que consideravam o governo “ruim ou péssimo”, estava em ascensão, subira de 19% para 23%, onde se encontra hoje, embora em declínio. O índice melhorou em relação à última pesquisa, de dezembro, quando chegou a 28%, mas é um patamar ainda alto de reprovação. O que fez com que naquela ocasião Lula aparecesse em todas as pesquisas como o favorito para a reeleição, e hoje, com os mesmos índices de popularidade, e em alguns aspectos até melhores, ele continue perdendo para o prefeito de São Paulo, José Serra? Tudo indica que o alto índice de rejeição pessoal que ele ostenta depois dos escândalos, de 37%, tenha cristalizado a percepção da opinião pública de que ele não é uma boa opção para um novo mandato. Além do mais, há o índice estarrecedor de 82% dos que acreditam que há corrupção no governo Lula, número que não se alterou na atual pesquisa em relação ao final do ano passado. O que demonstra que, mesmo com toda a exposição positiva de imagem a que Lula foi submetido no início do ano, a percepção de corrupção no seu governo não se esvaneceu. Entre os que acreditam na existência de corrupção no governo, 35% acham que o presidente tem muita responsabilidade, 50% atribuem a ele um pouco de responsabilidade, e apenas 13% o isentam de qualquer responsabilidade. A melhora da popularidade de Lula pode ser apenas aparente, fruto de sua grande exposição à televisão nos últimos meses, e do anúncio de medidas populares como o aumento do salário-mínimo. Note-se que a popularidade do presidente Lula já se recuperou uma vez antes, depois da primeira onda de escândalos, quando Waldomiro Diniz, o assessor direto do então chefe da Casa Civil José Dirceu, apareceu em um vídeo pedindo propina ao bicheiro Carlinhos Cachoeira. De 35% em agosto de 2003, com reprovação considerada então recorde de 17%, a popularidade de Lula voltou, em dezembro de 2004 a uma aprovação de 45%, como nos primeiros meses de governo, graças a um ambiente econômico otimista, com o país crescendo quase 5% naquele ano. Hoje, o ambiente econômico voltou a ser altamente favorável, com diversos anúncios de cunho popular ou simbólico, como o pagamento do empréstimo ao FMI ou a auto-suficiência do petróleo. Além do mais, o programa de crédito subsidiado fartamente distribuído nas classes mais pobres, mais empregos com menores salários, de até três salários-mínimos, levando à melhoria de renda das classes mais baixas, provocaram o aumento do consumo popular nos últimos anos, efeito semelhante ao do Plano Real que levou os tucanos ao poder. Tudo leva a crer que a candidatura de Lula terá um ambiente favorável pela frente, e a questão é saber se a economia será suficiente para embalar a candidatura rumo à vitória. Em 2004, o melhor ano em termos econômicos da administração Lula até hoje, não foi suficiente. O governo perdeu as principais prefeituras do país, especialmente a de São Paulo, mesmo embalado por uma popularidade recorde do presidente Lula, e uma aprovação alta da gestão da então prefeita Marta Suplicy. O então candidato oposicionista José Serra tinha uma taxa de rejeição pessoal baixa, praticamente a mesma que tem hoje, em torno de 17%, enquanto Marta Suplicy era rejeitada por cerca de 30% do eleitorado paulistano — rejeição menor que a de Lula hoje a nível nacional — e com razões menos graves. Marta era considerada arrogante e prepotente, enquanto o PT já perdera o apoio da classe média de todo o país, atemorizada com autoritarismo revelado por setores do governo, e com o aparelhamento do Estado. Hoje, além de todos esses problemas, há a questão da corrupção, que surgiu em meados de 2005. Portanto, o desempenho sofrível do PT e do presidente Lula nas regiões Sul-Sudeste vem se mantendo inalterado desde as eleições municipais de 2004, mostrando que ele continua sem ter o apoio da região mais rica e esclarecida do país. Parece claro a essa altura da campanha eleitoral, pelas declarações do principal líder da oposição, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que a questão da corrupção será central. Nas suas declarações, o ex-presidente faz questão de deixar patente que a corrupção petista é sistêmica, foi organizada a partir da Casa Civil da Presidência da República, e não tem similar com outros casos já ocorridos. Os relatórios finais das CPIs certamente levarão para o centro dos debates as acusações ao governo petista, o que pode ser mais um ponto de inflexão na popularidade de Lula. O chamado dimasduto, cópia de uma suposta lista de arrecadação de “dinheiro não remunerado” pelo diretor de Furnas Dimas Toledo para a campanha da base aliada de Fernando Henrique em 2002, é a peça mais importante da estratégia petista de igualar todos por baixo, de tentar mostrar que também o PSDB fazia uso do caixa dois em suas campanhas eleitorais. Se verdadeira, a tal lista serviria para desmoralizar os principais partidos de oposição ao governo, mas não salvaria a face petista. Seria o caminho aberto para uma terceira via eleitoral, que ainda não se divisa. Com suas incongruências e imperfeições, essa lista pode, no entanto, desmoralizar a posição petista se ficar provado, como afirma o prefeito paulistano e um dos nomes da lista, José Serra, que é tão falsa quanto o Dossiê Cayman. |
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