Entrevista:O Estado inteligente

sexta-feira, fevereiro 10, 2006

Eliane Cantanhede - Vaga aberta

Eliane Cantanhede - Vaga aberta


Folha de S. Paulo
10/2/2006

Enquanto o PSDB ainda discute o candidato a presidente, Lula já está lá na frente, articulando o novo vice. José Alencar, uma boa escolha em 2002, porque era do PL, mineiro, empresário e boa gente, não é opção em 2006. Inviabilizou-se ao trocar o PL pelo PRB, mistura de Igreja Universal com Mangabeira Unger, e pela movimentação errática ao longo da definição eleitoral. Aliás, apesar de abrir caminhos batendo nos juros altos, defendendo o crescimento e tentando um acordo mineiro com Aécio Neves (PSDB) e com Itamar Franco (PMDB), Alencar acabou ficando sem rumo. Não pode concorrer contra Lula, que era o seu verdadeiro e inconfessado projeto, depois que o presidente se recuperou nas pesquisas e os dois não param de trocar juras de amor. Também não pode concorrer ao governo de Minas, porque Aécio tem índices muito altos para a reeleição, nem ao Senado, porque esse espaço está reservado para Itamar. Como o vice vai sair do Ministério da Defesa para se candidatar, ficou-se sem saber a quê. Aceitaria disputar a Câmara? Improvável. E o PRB deve estar se descabelando, porque o grande puxador de votos vai ser mesmo Marcelo Crivella, no Rio, em conchavo com Lula e o PT. A vice de Lula afunila para Ciro Gomes e Eduardo Campos, do PSB, como já dito aqui. Mas sempre há alguma margem para surpresas, e o nome de Dilma Rousseff já está sendo colocado na roda, como teste. É mulher, durona, eficiente, mineira com base no Rio Grande do Sul -ou seja, boa para reforçar a ligação de Lula com o centro-sul. Mas isso, diga-se, são apenas conjecturas. Enquanto as definições tucanas passam por muita gente, a candidatura do PT parece passar por uma única pessoa: o próprio Lula.

De Mercadante, sobre a coluna de ontem: "Fico lisonjeado em ser lembrado para a Fazenda, mas quero mesmo é ser governador de São Paulo". Se Marta e o PT deixarem...

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