| Dora Kramer - Zona cinzenta |
| O Estado de S. Paulo |
| 10/2/2006 |
Ambigüidade sobre a lista de Furnas deixa todos sob suspeita, inclusive a Polícia Federal
No lugar de lançar luz sobre o episódio, como seria de seu dever, as autoridades responsáveis criam mais sombras com declarações dúbias. A conseqüência imediata é a disseminação da suspeita sobre tudo e sobre todos. A ambigüidade rende malefícios óbvios aos integrantes da relação, deixando-os no limbo. Mas também produz efeitos negativos para a Polícia Federal, o Ministério da Justiça e o governo em geral. Na melhor das hipóteses, ressalta a incompetência da polícia para atestar a autenticidade de cinco folhas fotocopiadas que há meses estão em seu poder. Na pior, autoriza a desconfiança de que a PF se presta a um jogo político-eleitoral. A favor do governo se estiver escondendo uma fraude, ou atendendo aos propósitos da oposição (sabe-se lá, José Dirceu não disse que a Polícia Federal é "meio tucana"?) se a falta de empenho tiver o intuito de evitar a confirmação de acusações graves. O superintendente da PF, delegado Paulo Lacerda, diz que é "possível" dirimir a dúvida pelo exame da cópia, sem os originais, e o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, limita-se a manifestar sua expectativa de que o documento não seja verdadeiro. E por aí ficam, espichando desnecessariamente um episódio que, lá na frente, em plena campanha, mesmo sem comprovação, pode ser retomado com ares de verdade. Na ausência de esclarecimento, prevalece o embaçamento, a leve impressão, esta zona cinzenta cujo lusco-fusco torna todos os gatos igualmente pardos. O ministro da Justiça argumenta que a PF está "investigando republicanamente" a lista. Não obstante a carência de significado preciso da expressão, bastaria que a polícia tratasse do assunto objetivamente: dando conta do andamento das investigações, ou resolvendo de uma vez a questão para encerrar o caso, seja para arquivar suspeitas, seja para permitir ao PT tomar a iniciativa de pedir a abertura de uma nova CPI. Afinal, a denúncia, se verdadeira, aponta para corrupção, desvio de dinheiro de uma estatal e não diz respeito apenas à prática do caixa 2 promovida à categoria dos pecados veniais. Já que entre os 156 deputados não há um só petista - a despeito de o PT ter protagonizado o escândalo do "mensalão" -, o partido ficaria a cavaleiro para liderar as investigações no terreno parlamentar. Seria uma oportunidade de revide e um oxigênio eleitoral nada desprezíveis, se a idéia for esclarecer e não se valer da desconfiança difusa para confundir o eleitor.
O presidente do Supremo Tribunal Federal, Nelson Jobim, demorou, mas finalmente deixou claro: não será candidato na eleição de outubro. Faltou, porém, contar a história toda e explicar por que, então, vai deixar o STF, abrindo mão de posição que almejou ao ponto de se empenhar por ela com o presidente responsável por sua indicação, Fernando Henrique Cardoso. Jobim diz que voltará à advocacia, mas se fosse só isso não garantiria, como fez à direção do PMDB, a assinatura de filiação ao partido.
O assunto ainda é tratado muito discretamente pois, para todos os efeitos, a escolha do candidato do PSDB à Presidência da República ainda é uma questão em aberto. Nas internas do PFL e do reino tucano examinam-se os prós e contras do nome ideal para a composição da chapa. Do ponto de vista pefelista, sempre levando em conta que o indicado será o prefeito de São Paulo, José Serra. Três nomes são citados: Jorge Bornhausen, José Agripino e José Carlos Aleluia, mas a preferência da cúpula é por Bornhausen. Agripino entra na lista por ser nordestino, região onde Lula é mais forte; Aleluia é cotado pelo perfil combativo que, ao mesmo tempo, trabalha contra ele, já que o candidato, sendo mesmo Serra, exibiria esse traço de personalidade até em excesso. A utilidade da circulação do nome de Aleluia teria também a função de provocar Antonio Carlos Magalhães (desafeto do deputado baiano) a aceitar sem resistência o nome de Bornhausen, este sim visto como um vice de utilidade. Senão mil e uma, ao menos a mais importante delas: apaziguar os temores do setor financeiro em relação a José Serra, tido como intervencionista, comporia um quadro perfeito com Bornhausen, a imagem pronta e acabada do liberalismo. A isso dá-se o nome nesses debates de "vice com conceito". Guardadas todas as proporções, o presidente do PFL estaria para Serra agora como José Alencar esteve para Lula em 2002.
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Entrevista:O Estado inteligente
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