Entrevista:O Estado inteligente

sexta-feira, fevereiro 03, 2006

Editorial de O Estado de S Paulo

Comércio exterior começou bem

editorial
O Estado de S. Paulo
3/2/2006

Foi dada excessiva importância ao fato de que em janeiro o saldo da balança comercial apresentou um forte recuo (49,6%) em relação a dezembro, para se concluir que o ano está começando muito mal na área do comércio exterior. Uma conclusão que não leva em conta os fatores sazonais.
A comparação deve ser feita com janeiro de 2005 - nesse caso se verifica aumento de 30% -, pois sempre no primeiro mês do ano ocorre um recuo do saldo comercial. É mais recomendável ainda examinar a evolução das correntes de comércio externo em relação a janeiro de 2005, que teve um dia útil a menos do que o deste ano, levando em conta a média por dia útil.
No caso das exportações, o crescimento foi de 18,9%, e das importações, de 16,7%, que, apesar da valorização do real, continuam a crescer menos do que as vendas para o exterior.
Examinando as exportações por grandes categorias, registra-se um aumento que não autoriza a previsão de mudança negativa no rumo das vendas ao exterior. Os produtos básicos, em relação ao mesmo mês do ano passado, acusam elevação, em valor, de 47,8%, sob influência das exportações de petróleo, cujo valor aumentou 223,1%, da soja (121,3%) e do minério de ferro (63,5%). No caso dos produtos manufaturados, mais sensíveis à cotação cambial, registrou-se crescimento de 10,3% e, para os automóveis, de 56,6%. Para os bens semimanufaturados o crescimento foi de 4,4%.
Outro fato significativo foi a ampliação da pauta das exportações de itens com pequena participação nas receitas. Houve aumento, por exemplo, de 272% nas máquinas de calcular e registradoras; de 221,7% nas turbinas hidráulicas; e de 193,9% nos ônibus - ao mesmo tempo que houve expansão das vendas para todas as regiões, exceto para os EUA. São fatos que mostram que o "export drive" está se mantendo com a conquista de novos mercados e com a diversificação dos produtos ofertados.
Esses resultados foram obtidos apesar da taxa cambial mais desfavorável que excluiu do mercado internacional empresas brasileiras que não resistiram a uma queda violenta da remuneração das suas atividades exportadoras. Seria o caso de indagar se não caberia criar alguns incentivos que ajudassem a preservar a vocação exportadora de algumas empresas.
O câmbio teve o efeito também de estimular as importações de bens de consumo (32,5%), de bens de capital (21%) e de matérias-primas e bens intermediários (10,5%). O governo deve estar atento para que isso não atrapalhe a produção nacional e contribuir não somente para melhorar a taxa cambial, como também a produtividade da indústria.

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