Entrevista:O Estado inteligente
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quarta-feira, março 16, 2005
Jornal O Globo - Merval Pereira :Peso paulista
NOVA YORK. Mais do que nunca, depende da política paulista a definição do quadro em que se dará a disputa pela Presidência da República em 2006, especialmente no PT, mas também no PSDB. A reforma ministerial que está sendo gestada na cabeça do presidente Lula depende da solução da disputa no núcleo paulista do PT, onde pesos pesados do partido lutam entre si pelo direito de ser o candidato ao governo do estado em 2006.
A essa briga interna, o governo atribui até mesmo a derrota para a presidência da Câmara, que fica no contencioso do senador Aloizio Mercadante. Segundo o chefe da Casa Civil, José Dirceu, se não tivesse havido o boicote da idéia de reeleição dos presidentes da Câmara e do Senado, não haveria a turbulência política que levou à eleição de Severino Cavalcanti. De fato, a disputa pela presidência da Câmara mexeu com o tabuleiro político petista, onde o senador Mercadante se coloca como opção prioritária.
Para ele, a solução dos problemas políticos do governo no Senado passava por uma pacificação entre os senadores José Sarney e Renan Calheiros, e não pela escolha de um deles como o preferido do Palácio do Planalto. Na verdade, o que Mercadante não queria mesmo era dar força para a tese de reeleição, que beneficiaria também o ex-presidente da Câmara João Paulo Cunha, seu adversário direto na disputa de quem será o candidato petista ao governo em 2006.
Marta Suplicy, derrotada na reeleição para a prefeitura paulistana, passaria a ser uma peça fora do tabuleiro em um exílio dourado na embaixada em Paris, mas rejeitou esse fim e está novamente na luta pela indicação, embora sem a força inicial e cada vez tendo que dar mais explicações sobre sua atuação administrativa. Agora, até mesmo sendo acusada pelo ministro da Fazenda, Antonio Palocci, ele próprio um dos “paulistas” em disputa, de ter ferido a Lei de Responsabilidade Fiscal.
Nunca é demais lembrar quais são os atores petistas dessa disputa de egos que interfere tão fortemente no governo Lula: além dos já citados Marta, Palocci, Mercadante e João Paulo Cunha, ainda restam o presidente do PT, José Genoino, e José Dirceu. Outro nome forte na disputa, o senador Eduardo Suplicy hoje se ressente de falta de apoio na cúpula partidária, onde uma prerrogativa que tinha começa a ser contestada: a de ser o candidato natural para a única vaga de senador que será disputada em 2006.
Genoino, desgastado especialmente depois da derrota na Câmara, não tem maiores projetos políticos pela frente, e até mesmo a permanência na presidência do partido parece ameaçada. Já os destinos políticos dos dois principais ministros do governo cortam o caminho da disputa paulista em direção a alvos mais altos e a mais longo prazo, em 2010, dependentes, portanto, da reeleição de Lula em 2006: o do ministro Palocci está ligado ao sucesso da política econômica. Já o ministro José Dirceu depende da retomada da articulação política pelo PT, o que implicaria a hoje provável saída do ministro Aldo Rebelo.
Não foi por acaso que João Paulo fez uma declaração pública de desagravo a Dirceu quando era maior a crise que o envolvia no caso Waldomiro. Criticado por ter insinuado que Dirceu estaria sendo alvo de intrigas palacianas, respondeu lacônico: “Brasília não é sincera”. João Paulo sabia o que estava fazendo, colocando-se publicamente ao lado de Dirceu num momento difícil.
Foi seu candidato à presidência da Câmara, e é o seu candidato a coordenador político do governo, mas teria que abandonar a idéia fixa de disputar o governo paulista, o que praticamente deixaria a raia livre para o senador Mercadante.
No lado do PSDB, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso continua dando o rumo ao partido, e mantendo-se no noticiário político à base de prestígio internacional e declarações aguerridas. Além de ajudar o partido a encontrar caminho próprio na oposição, o ex-presidente Fernando Henrique procura também marcar seu espaço político, para não perder o controle do PSDB.
A vitória de Serra na eleição para a prefeitura paulistana recolocou o grupo de Fernando Henrique no controle do partido em São Paulo, limitando as ações do atual governador que, embora tenha sido o vice de Mario Covas, não é do grupo político que gerou o PSDB.
A afirmação de Alckmin como candidato do PSDB à Presidência parece consensual, mas apenas enquanto a maior chance é de derrota. À medida que a possibilidade de derrota de Lula começa a existir no cenário político, novas forças dentro do PSDB se movem. O governador de Minas, Aécio Neves, não deixa que sua candidatura nem a de Fernando Henrique desapareçam das especulações, apenas para marcar espaço.
O mais provável, porém, é que Alckmin seja mesmo o candidato, para perder. O que não é um mau negócio para ele, que será beneficiado pela dimensão nacional que a campanha presidencial certamente lhe dará. E ele está tentando se apresentar fora de seu círculo interiorano paulista.
Sua recente viagem ao exterior não parece, no entanto, ter sido bem-sucedida. Ainda repercutem em Nova York as respostas evasivas que deu sobre os assuntos mais corriqueiros, próprias de um político que ainda não “desasnou”, isto é, ainda não ganhou o mundo, como Alckmin é descrito em alguns círculos tucanos afeitos tanto aos dicionários quanto às ironias.
A disputa de egos no tucanato ficará, assim, adiada para 2010, quando Serra e Aécio aparecem como favoritos, mas onde um Alckmin “desasnando” a essa altura pode ser um forte adversário, com o recall da candidatura à Presidência da República. José Serra sabe bem o quanto esse efeito é forte na opinião pública.
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