Até agora, os analistas internacionais vinham preferindo afirmar que na economia mundial uma mão lava a outra.
As funções e os interesses se complementam e, nesse jogo - dizem eles -, a estabilidade fica garantida. Em outras palavras, quem anuncia o apocalipse do dólar seria falso profeta que, além de não estar bem informado, não consegue entender como as coisas funcionam. No entanto, há alguma coisa mudando.
Tudo se acentuou na década de 90, quando as grandes empresas americanas (e dos países ricos) compreenderam que precisam deslocar-se para países onde os fatores de produção são mais baratos, especialmente mão-de-obra. Assim, conseguem reduzir seus custos e aumentar a fatia do seu mercado global.
Isso exige que os Estados Unidos importem cada vez mais de onde suas corporações globalizadas estão produzindo, especialmente de Japão, China, Taiwan, Coréia do Sul, Índia e de um punhado de países latino-americanos.
Esse fluxo gera um déficit comercial gigantesco nos Estados Unidos, que foi de US$ 613 bilhões em 2004 e, só em dezembro passado, para US$ 58,3 bilhões, um recorde. Se esse número repetir-se por 12 meses, chegará a US$ 700 bilhões por ano.
Para que esse rombo não provoque brutal desvalorização do dólar, os países asiáticos passaram a amontoar reservas. O Japão tem hoje US$ 841 bilhões; a China, US$ 610 bilhões; Taiwan, US$ 247 bilhões; a Coréia do Sul, US$ 200 bilhões; Hong Kong e Índia, US$ 124 bilhões cada um.
Cerca de 80% dessas reservas estão aplicadas em ativos em dólares, principalmente em T Bonds, títulos do Tesouro dos Estados Unidos. E, na medida em que compram T Bonds, esses países estão ajudando a cobrir outro déficit-mostro, o déficit orçamentário dos Estados Unidos, de US$ 413 bilhões no último exercício fiscal terminado em setembro.
Como os interesses convergem - insistem os otimistas - não há por que temer por ruptura unilateral dessa corrente que precipitaria todos no abismo. Assim, os Estados Unidos seguirão consumindo e fazendo dívidas e os asiáticos seguirão exportando e amontoando reservas - concluem.
O problema é que esta simbiose pode estar gerando pelo menos duas ameaças aos países asiáticos. A primeira é a inflação, a outra, a desvalorização patrimonial. A inflação é determinada pela necessidade de seguir comprando reservas. Se compra dólares, um banco central tem de pagar com moeda nacional. Se a China está comprando US$ 200 bilhões por ano a 8,2865 yuans por dólar, segue-se que o despejo anual de yuans no mercado chinês, apenas em conseqüência dessa compra, é de US$ 1,7 trilhão por ano. Se ainda não chegou, chegará o dia em que essa emissão de moeda ficará insustentável, pelo menos ao ritmo em que vem sendo feita.
A outra ameaça é a desvalorização patrimonial. Para chegar onde chegaram, os países asiáticos tiveram de exportar suor, sacrifício e salários baixos. Se a desvalorização do dólar é inevitável, isso significa que seu patrimônio em dólares será desvalorizado. A pergunta seguinte é esta: para que continuar exportando e perfazendo reservas se, ao final do percurso, o que for amealhado corre o risco de desvalorizar-se? O economista Stephen Roach, do Morgan Stanley, observava ontem que "cada tombo de 15% no dólar equivalerá a uma perda de US$ 75 bilhões em suas reservas, o equivalente a cerca de 5% no PIB da China".
Isso reforça a percepção de que o problema não está no elo mais forte da corrente (os Estados Unidos) que, na condição de emissores da única moeda de reserva do mundo poderiam seguir indefinidamente emitindo seus dólares para pagar dívidas e despesas correntes. O problema está no elo mais fraco, que pode não ter robustez para seguir desempenhando a função que lhe cabe nessa relação.
Entrevista:O Estado inteligente
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