Entrevista:O Estado inteligente

sexta-feira, março 18, 2005

Folha de S.Paulo - CLÓVIS ROSSI i: A vingan�a da palavra - 18/03/2005

SÃO PAULO - Por fim, neste mundo dominado pela imagem, alguém resgata o valor e o peso da palavra escrita, ainda que por vias tortas.
Refiro-me à condenação à fogueira, retoricamente falando, do livro "O Código da Vinci", de Dan Brown, por parte da Igreja Católica.
A palavra escrita tem de ser mesmo muito poderosa para fazer mexer-se a máquina do Vaticano a ponto de provocar uma espécie de recaída na Inquisição,
É verdade que não se condenou o autor à fogueira, mas o cardeal Tarcisio Bertone pede que o livro não seja lido, porque, em sua opinião, contém "graves mentiras e manipulações" sobre a história da igreja e o papel de Jesus.
Para quem não é um dos 25 milhões de leitores do "Código", informo que a ira da igreja se deve ao fato de que o livro afirma que Jesus Cristo casou-se com Maria Madalena, que seria um dos 12 apóstolos e, ainda por cima, que teve um filho com ela.
O autor deixa claro que se trata, como é óbvio, de pura ficção. Mas, pelas dúvidas, fui rever a reprodução de "A Última Ceia" de Da Vinci na velha Bíblia que temos em casa e, de fato, a figura ao lado de Cristo à mesa tem todos os traços (e os cabelos) de mulher, tal como diz Dan Brown. Não prova nada, mas é curioso.
Se tivesse talento para escrever, não poderia imaginar propaganda maior para qualquer texto meu do que uma reação dessas de parte de uma instituição como a igreja.
Tom Hanks, que será o ator principal do filme baseado no livro, também deve estar feliz da vida.
De alguma forma, a reação da igreja resgata também o ofício de jornalista, tão atacado. Se a Bíblia, a palavra dos santos e o primeiro jornal d.C., ainda consegue provocar polêmicas como essa, o que esperar dos pobres mortais que escrevem de um dia para o outro ainda sob o calor das paixões do momento?

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