Entrevista:O Estado inteligente

sexta-feira, março 18, 2005

Folha de S.Paulo - Nelson Motta: Fusão, confusão, separação - 18/03/2005

RIO DE JANEIRO - Apesar do clima opressivo da ditadura militar, acredite, até a metade da década de 70 o Rio de Janeiro era uma cidade adorável para se viver.
Com a mudança da capital para Brasília, o Rio, que era Distrito Federal, tornou-se cidade-Estado (como Hong Kong), com o simpático nome de Estado da Guanabara. Com sua exuberante beleza natural, sua experiência de capital federal e sua vocação cosmopolita para a cultura, a diversão, o lazer, os esportes, o turismo e os serviços, o Rio cresceu e se desenvolveu nos anos 60 com grandes arrecadações de impostos e bons governos investindo no progresso da cidade e no bem-estar de seus cidadãos.
A partir de 1976 é que a vaca se encaminhou para o brejo, quando o governo Geisel, sem que ninguém pedisse, resolveu fundir a fervilhante cidade-Estado ao poeirento Estado do Rio, rural e atrasado, quintal de coronéis e império do populismo provinciano. Nada contra o Estado do Rio, que tem a belíssima região serrana de Petrópolis-Teresópolis, a não menos bela região dos lagos de Cabo Frio-Búzios e a rica zona do petróleo Macaé-Campos, mas o resto é pobreza e atraso, perpetuados pelos políticos locais e por suas práticas, muito parecidas com as do vizinho Espírito Santo -com o qual o Estado do Rio estaria mais bem fundido.
Mas Brasília decidiu que a cidade-Estado próspera e moderna teria de assumir o Estado pobre e atrasado. Aí começou a decadência do Rio de Janeiro. Em vez de o Estado se nivelar à cidade, foi o contrário que aconteceu: os dois perderam. Por isso cresce o apoio político e popular à proposta da economista Maria Silvia Bastos Marques da "des-fusão" -talvez a única possibilidade de salvação para o Rio de Janeiro, reassumindo sua autonomia e deixando o Estado do Rio para os políticos fluminenses: eles se merecem.
Casado à força pela ditadura, o Rio quer o divórcio democrático.

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