Entrevista:O Estado inteligente

sexta-feira, maio 19, 2006

No trilho da democracia Eduardo Graeff

No trilho da democracia

Eduardo Graeff (19/05/06 18:14)

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No "nevoeiro da guerra" cada um enxerga o que quer. Isso vale para a guerra do crime organizado contra o Estado nas ruas de São Paulo. Num painel de opiniões colhidas pela Folha, Ariel de Castro Alves, do Movimento Nacional de Direitos Humanos, garante: "A polícia está exagerando totalmente. Estão ocorrendo execuções sumárias." Já o capitão Comte Lopes, deputado estadual, famoso matador de bandidos dos velhos tempos, não vê exagero nenhum: "Travaram a polícia durante anos. Agora, diante da necessidade, a polícia e a Rota foram colocadas na rua." Poucos têm a humildade de reconhecer, como José Gregori, da Comissão Municipal de Direitos Humanos: "Antes de saber as circunstâncias de cada uma dessas mortes, não há condições de avançar juízo."

Com horror ou saudade, muita gente parece feliz em prejulgar a atuação da polícia hoje por lembranças do que ela era há trinta anos. Por falta de informação ou de vontade de se informar, ignoram o trabalho sério de profissionalização da polícia paulista neste período, incluindo a adoção de procedimentos para garantir o uso comedido da força e a criação de instituições para investigar e punir os abusos.

Por ironia do destino, poucos dias antes da ofensiva do PCC, jornalistas e o público em geral não pouparam elogios à ação da tropa de choque da Polícia Militar no Estádio do Pacaembu - cerca de trinta homens que mostraram preparo técnico, calma e coragem para impedir, sem recuo nem excessos, a invasão do campo por uma multidão de torcedores enfurecidos. Diga-se de passagem, o mesmo preparo, calma e coragem mostrado pela PM para controlar com um mínimo de derramamento de sangue as rebeliões em dezenas de presídios nos últimos dias.

Isso quer dizer que não houve excessos? Claro que não. É possível que tenha havido. Francamente, só com doses sobre-humanas de preparo, calma e coragem dá para imaginar que dezenas de milhares de policiais tenham passado pelo que passaram, vendo colegas ser covardemente assassinados, sem que um deles sequer tenha cruzado o limite entre o uso comedido da força e a violência. A imprensa, o Ministério Público e a corregedoria da polícia fazem bem em marcar em cima a possibilidade de abusos.

Mas não dá para deixar de reconhecer que no conjunto a polícia se saiu muito bem dessa prova de fogo, sem recuar nem exorbitar. Merece os elogios que João Mellão Neto fez no artigo que postei aí ao lado. Eu que já corri bastante da velha Força Pública paulista nas passeatas de 1968 fico feliz de reconhecer que o país avançou e a polícia, como outras instituições, acompanhou esse avanço no trilho da democracia.

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