Entrevista:O Estado inteligente

sexta-feira, maio 19, 2006

CPI DOS "SANGUESSUGAS"

editorial da folha
 Foi protocolado ontem o pedido de instalação de CPI mista para investigar a participação de parlamentares no esquema dos "sanguessugas", que realizava fraudes no Orçamento Geral da União. Uma iniciativa desse tipo é, no mínimo, uma satisfação necessária.
Em primeiro lugar, é preciso dirimir as dúvidas crescentes acerca das proporções do esquema. Desde que a quadrilha, que fraudava emendas parlamentares para compra de ambulâncias, foi descoberta pela Polícia Federal, o número de acusados não cessa de mudar -atingindo cifras cada vez mais estarrecedoras. A primeira lista colocava sob suspeita nada menos que 63 parlamentares.
Em depoimento à PF, a principal envolvida no caso, a ex-servidora do Ministério da Saúde Maria da Penha Lino, que está presa, afirmou que cerca de "um terço da Câmara" (170) faria parte do esquema, mas apontou apenas 81 nomes. Em sua conta mais recente, ela aumentou a cifra para nada menos que 283 parlamentares, quase a metade de todo o Congresso.
Infelizmente, porém, é preciso manter o ceticismo quanto aos resultados de uma eventual CPI dos Sanguessugas. Quem assistiu às absolvições que coroaram o melancólico final das investigações do caso do mensalão sabe que não há motivos para esperar a punição dos envolvidos no esquema urdido para assaltar o Orçamento. Esse desfecho é ainda menos provável ante a quantidade de congressistas sob suspeita.
Além disso, há o calendário deste ano. Com as convenções partidárias marcadas para junho, e o início da campanha eleitoral se aproximando, o ano legislativo está praticamente morto. Caso a comissão seja de fato instalada, o máximo a esperar é algum avanço na criação de mecanismos para conter fraudes desse tipo.

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