SÃO PAULO - O eleitor mais pobre gosta mais de Lula, assim como o mais rico gostava mais de FHC. José Serra venceria Lula de raspão num segundo turno em que só votassem pessoas que ganham menos de R$ 1.500. Mas a diferença seria brutal a favor do tucano caso votasse apenas quem recebe mais de R$ 3.000.
É o que se depreende do Datafolha feito na semana passada e da análise de 11 anos de pesquisas do instituto.
Petistas e tucanos polarizam não só a disputa presidencial mas, em certa medida, as preferências de classe. Nos anos FHC, a avaliação positiva do governo era mais comum entre os mais ricos. Sob Lula, isso se inverte. De resto, cresceu a divergência de opinião entre ricos e pobres; entre os eleitores do Sudeste e do Nordeste.
A forte recuperação de Lula acentua essa tendência "de classe" e regional. Na média do país, o índice de avaliação positiva de Lula subiu 14 pontos de dezembro para fevereiro, para 13 pontos positivos (o índice é a diferença entre as porcentagens de ótimo e as de ruim obtidas pelo governo), crescimento devido ao voto dos mais pobres. Entre estes, a avaliação de Lula está em 17 pontos positivos; entre os mais ricos, em 22 pontos negativos. No Nordeste, Lula tem 27 pontos positivos; no Sudeste, 8.
A pesquisa indica que a corrupção terá peso no voto, mas é difícil avaliar em que medida: a implicação de Lula no problema varia muito de acordo com renda e região do eleitor.
Lula derrota os tucanos no universo das pessoas beneficiadas por programas sociais ou que conheçam alguém que deles tomem parte. Perde entre aqueles que não recebem assistência social do governo.
Lula faz propaganda maciça na TV, certo. Mas o eleitor, o pobre, inclusive, não é tábula rasa que engula sem mais o marketing. Algo do que Lula faz ou diz o interessa, como revela a crescente polarização social do voto. Isso não quer dizer que o voto brasileiro tenda a ser cada vez mais "classista". Mas indica que a polêmica político-social brasileira mudou e que a desigualdade ocupa cada vez mais o centro do debate.
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