No que vai neste ambiente pré-eleitoral, que deveria ser mais propriamente chamado de eleitoral, estamos observando um vazio constrangedor de idéias. Diferentes candidaturas estão se perfilando, o PT com um candidato, Lula, o PSDB com dois, Serra e Alckmin, o PMDB com dois, Rigotto e Garotinho, o PPS com um, Roberto Freire e o PSol com um, Heloísa Helena. As pesquisas de opinião terminam por acentuar esse perfil individualista das candidaturas, centrando-se em determinadas pessoas como se elas fossem, por si mesmas, capazes de produzir o desenvolvimento do país e a redução das desigualdades sociais.
Arma-se, assim, um espetáculo midiático focado em individualidades, que se disputam a cena, tentando atrair sobre si os holofotes. Há tanto contraposição entre candidatos de diferentes partidos como farpas lançadas entre membros do mesmo partido, tentando, cada um, obter uma melhor colocação nas pesquisas de opinião. Pontos ganhos são centrais em uma estratégia de conquista do eleitorado ou de conquista da indicação partidária, como se determinados indivíduos estivessem predestinados ao cumprimento dessa função. Raramente se coloca a questão do por quê estão eles procurando a investidura máxima da nação, com se essa pergunta posse inadequada ou indevida. Em todo caso, improcedente.
O que sim temos observado é um monte de generalidades, como se dizer o que todos sabem fosse o equivalente a dizer algo verdadeiro e necessário do ponto de vista de transformação desse país. Há uma notória dificuldade dos candidatos de saírem de generalidades, de promessas, de voluntarismo, quando não de observações não verdadeiras sobre a situação atual ou sobre as presidências anteriores. A formulação mal colocada e a crítica pela crítica, quando não insultos que tomam o lugar de argumentos, torna-se algo corriqueiro, senão normal, não cabendo nenhuma indagação que pudesse mudar uma tal situação. Uma pergunta básica, como o que faria concretamente o candidato uma vez eleito, termina uma pergunta fora do lugar.
Talvez fora do lugar estejam candidatos que não se preocupam em apresentar ao eleitorado brasileiro uma pauta concreta de atuação, estabelecendo metas e os meios de atingi-las. Nada pode ser evidentemente feito se não há um diagnóstico preciso da situação. Um médico não pode prescrever determinados tratamentos a um paciente se não tiver um diagnóstico preciso do seu estado físico, da doença que o acomete e do seu estado geral de saúde. Se algo fizer fora desse quadro, arrisca matar o paciente ou piorar sensivelmente a sua situação. O mesmo ocorre com os dirigentes políticos que se enfrentam a situações que exigem ações precisas, supondo o que deve ser feito para botar o Brasil na rota do desenvolvimento e de uma menor desigualdade social. Exige também um diagnóstico preciso sobre como lidar com uma estrutura estatal freqüentemente corrupta e ineficaz, consumindo impostos que deveriam estar destinados a um melhor atendimento das necessidades sociais.
E não estou falando daqueles grandes calhamaços intitulados planos de governo, que, de tão extensos, nem os candidatos lêem e, se o fazem, não se preocupam depois em aplicá-los. Criou-se, inclusive, uma situação em que esses planos terminam por ser desacreditados, uma vez que os próprios candidatos não lhes dão créditos, salvo num momento de descuido na campanha eleitoral. Refiro-me à necessidade de uma pauta concreta de ações, de idéias que deveriam nortear o candidato uma vez eleito, de uma carta de princípios acompanhada das regras de sua aplicação, algo que possa vir a servir de mecanismo de cobrança para os cidadãos desse país.
Uma campanha eleitoral para a presidência da república poderia, precisamente, ser a ocasião de um real debate de idéias, e não uma aposta obscura em determinadas personalidades por mais capazes ou incapazes que sejam. O destino de um país não pode ser uma simples aposta salvacionista como a que presidiu as últimas eleições, com os resultados à vista de todos. Não há indivíduos predestinados.
Entrevista:O Estado inteligente
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