Entrevista:O Estado inteligente

quinta-feira, fevereiro 09, 2006

A REAÇÃO DA INDÚSTRIA

A REAÇÃO DA INDÚSTRIA

Editorial
Folha de S. Paulo
9/2/2006

O bom resultado da produção industrial em dezembro de 2005 deve ser interpretado como uma recuperação pontual do nível de atividade, que se deu ao final de um segundo semestre até então decepcionante. O dado do IBGE, somado às esparsas informações sobre o desempenho econômico deste início de ano, ainda não permite dizer que o setor tenha entrado em uma tendência firme de alta.
Parece ter-se concretizado o movimento que alguns economistas identificavam como responsável pela perda de ímpeto da produção na segunda metade do ano. No final do terceiro trimestre iniciou-se um processo de redução de estoques industriais. À época, eles se acumulavam já como sintoma da piora das expectativas em relação ao crescimento da demanda em 2005.
A indústria moderou sua produção e voltou a acelerá-la apenas a partir do final de novembro, para recompor estoques, estimulada pela perspectiva de melhora da atividade. Foi pequeno o impacto da expansão industrial de 2,3% em dezembro -na comparação com novembro- sobre o desempenho do PIB de 2005. Após a divulgação do novo dado, analistas passaram a estimar que a economia deva ter crescido a um ritmo mais próximo de 2,5% do que de 2% no ano passado.
Já quanto ao desempenho do PIB em 2006, a elevação do patamar de produção industrial em dezembro acima do que se previa pode ter mais impacto. A notável retomada da produção de mercadorias duráveis -sobretudo automóveis e celulares-, a manutenção do crescimento da indústria de bens de consumo (que depende da renda doméstica) e a performance satisfatória dos bens para investimento ajudam a melhorar as expectativas para o ano que começa.
Mas, como gosta de salientar o ex-ministro Delfim Netto em suas colunas nesta Folha, o desempenho futuro da economia não está contido no passado. É um jogo ainda a ser jogado que depende, por exemplo, de a política monetária reforçar essa incipiente vontade de crescer.

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