"O presidente da Câmara, deputado Aldo Rebelo, inaugurou uma política de quotas na Câmara dos Deputados.
A coisa funciona assim: para garantir quórum às segundas e sextas-feiras, dia de plenário vazio, Aldo determinou que cada partido deve assegurar a presença de um certo número de deputados, para que a sessão possa ser aberta.
Só para lembrar: uma sessão da Câmara é considerada aberta com a presença de 51 deputados, isto é, apenas 10% de suas Excelências.
Mas o esforço vem sendo coroado de fracasso. Não se consegue o número mínimo para abrir a sessão.
Anteontem, por uma dessas ironias do destino, havia 50 deputados presentes. O 51º foi justamente o presidente da casa, deputado Aldo Rebelo, que não chegou a tempo. Resultado: mais um dia sem sessão na Câmara.
E por que é importante abrir sessões, mesmo que não haja quórum para votações? Porque essas sessões contam prazos regimentais.
Assim, a convocação extraordinária vai terminando sem que o segundo turno da emenda que derruba a verticalização das alianças eleitorais tenha sido votado na Câmara, porque os prazos regimentais não foram cumpridos.
Da mesma forma, a convocação vai terminando sem que um único processo de cassação de deputado tenha sido votado no plenário.
O Conselho de Ética está fazendo seu trabalho, concluindo os processos, votando os relatórios, mas não se consegue que sejam cumpridos os prazos regimentais para que o plenário possa votar os pedidos de cassação.
O resultado desse atraso é a inevitável contaminação da campanha eleitoral.
O processo de escolha de candidaturas, as andanças palanqueiras do presidente Lula, as cotoveladas e cenas de má-criação explícita entre PT e PSDB, tudo isto vai ser vivido com lentes de aumento dentro do Congresso.
Por isso, fica muito difícil imaginar cenários de cassação ou de absolvição. Não se sabe se os deputados considerarão que, cassando o primeiro da fila, a opinião pública fica satisfeita ou se deverão cassar a fila inteira.
Como dizia o velho coronel da política maranhense, Vitorino Freire, a situação está de vaca não reconhecer bezerro no pasto."
Enviada por: Ricardo Noblat