Entrevista:O Estado inteligente

sábado, fevereiro 18, 2006

CLÓVIS ROSSI Feliz 2010

FOLHA
SÃO PAULO - Volto um minuto à análise de Leda Paulani, petista histórica, hoje no PSOL, sobre as causas da crise do seu ex-partido: "O comando do PT passara de um projeto para a nação para um projeto para alcançar o poder".
Perfeito. Só é preciso acrescentar, para ficar completo, que todos os demais partidos, pelo menos os grandes e médios, têm idêntico problema.
Se fosse preciso provar, bastaria acompanhar a disputa pela candidatura presidencial do PSDB. Tudo o que se analisa é quem é melhor para derrotar Lula, se José Serra ou Geraldo Alckmin. Nunca se diz quem é o melhor para governar o Brasil ou qual é o raio da diferença entre um e outro, se diferença há.
Pior: o debate sobre a economia que o tucanato e o Iedi promoveram anteontem reproduziu aquelas mofinas platitudes de sempre, centradas em "baixa o juro/corta as despesas públicas". Ponto.
Passemos então à vida real, longe dos salões emplumados: volte, leitor, por favor, à foto de capa desta Folha de ontem, aquela dos cadáveres no chão da favela da Rocinha.
Há nela dois elementos:
1 - A rua de uma "cidade" que oferece condições abaixo de qualquer mínimo decente, mas com a qual o brasileiro já se habituou. Já faz parte da paisagem. Não é preciso ser economista para saber, pelo simples sentido comum, que políticas como as praticadas antes pelo tucanato, mantidas pelo PT e "reprometidas" pelo tucanato e pelo PT para o período que começa em 2007, na melhor das hipóteses só mudarão a paisagem das incontáveis Rocinhas brasileiras para os bisnetos dos atuais moradores. Se tudo der certo.
2 - Os cadáveres no chão são a prova acabada de que, para muitos brasileiros, a vida não vale nada. Nada. E, neste caso, nem os bisnetos dos atuais moradores conseguirão ver suas vidas valer algo sem uma mudança dramática de rumos.
Portanto, se 2006 ficar entre PT e PSDB, feliz 2010.

@ - crossi@uol.com.br

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