Entrevista:O Estado inteligente

sábado, junho 11, 2005

FERNANDO RODRIGUES:Uma anti-reforma política

folha de s paulo
 BRASÍLIA - Quando usa o nome da reforma política em vão para abafar o "PTgate", Lula corre o risco de deteriorar ainda mais o país.
Na atual conjuntura, é zero a chance de o Congresso votar algo que melhore o atual sistema político.
Pior. É real o risco de aprovarem algum frankenstein que aprofunde as deformações do modelo atual.
Por exemplo, o cardápio lulista de reforma política inclui o fim da verticalização. Nesse sistema, em vigor desde 2002, os partidos devem fazer alianças coerentes. Se PT e PL se aliam para eleger Lula, não podem estar em coligações adversárias nos Estados. Justo. É como Lula no futebol: torce para o Corinthians nos campeonatos Paulista e Brasileiro.
Ao dizer que são contra a verticalização, Lula e vários partidos argumentam haver diferenças regionais (sic) a respeitar. Que diferenças são essas? Comerciais ou ideológicas? Por que o PT pode se aliar ao PTB para ganhar o Palácio do Planalto, mas não nos Estados?
Quando perdeu a eleição para FHC em 1994, Lula foi indagado se ajudaria a futura administração. Sua resposta: "Eu não vejo nenhuma possibilidade de uma pessoa que defende o que eu defendo participar de qualquer governo em aliança com o PFL, PTB e adjacências". Essa era uma diferença ideológica. Legítima.
Hoje, aliado ao "PTB e adjacências", Lula cedeu. Finge não perceber a razão para seus parceiros desejarem o fim da verticalização: fazer negócios. Ficarão até a última hora regateando apoio ao projeto de reeleição do petismo federal. Ao mesmo tempo, farão traficâncias nos Estados com suas inserções na TV.
Ao defender o fim da verticalização, Lula facilita a vida dessa gente. Tudo bem. É uma opção. Só não dá para chamar tal deformação de reforma política. O que Lula prega é um "liberou geral", no qual floresceriam "os mil Delúbios" -como diria o ex-maoísta Aldo Rebelo.

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