| O Globo |
| 6/6/2008 |
O anúncio de que o governador Sérgio Cabral rompeu a aliança com o PT e quer lançar a candidatura do seu secretário de Esportes, Eduardo Paes, representa uma reviravolta importante na campanha para a prefeitura do Rio, que desequilibra um jogo hoje ainda indefinido, embora Crivella apareça como favorito nas pesquisas. A disputa pelo segundo lugar, que parece ser a mais importante, está extremamente equilibrada entre os candidatos Jandira Feghali, do PCdoB; Fernando Gabeira, do PV-PSDB-PPS; e Solange Amaral, do DEM. Com o índice de rejeição alto do candidato do PRB ligado à Igreja Universal, e o entendimento generalizado no mundo político e na opinião pública do perigo que existe na mistura entre política e religião, é provável que o candidato que vá para o segundo turno tenha grande chance de unir forças contra Crivella. Definir quem chegará ao segundo turno para disputar a prefeitura com Crivella parece, portanto, a questão crucial no momento, e a provável entrada nesse grupo de Eduardo Paes traz novidades que podem deslocar tanto Gabeira quanto Solange Amaral, pois Paes tem bases fortes tanto no PSDB, onde era secretário-geral nacional do partido, quanto no DEM, onde começou sua vida política pelas mãos do prefeito Cesar Maia. Vereadores ligados a Paes, como Luiz Guaraná, Luiz Carlos Ramos e Patrícia Amorim, continuaram no PSDB, e não apenas isso: receberam do secretário de Esportes do PMDB vários centros esportivos onde atuam politicamente, o que indica que não farão campanha para Gabeira. Ao mesmo tempo, Eduardo Paes permanece com bons contatos dentro da máquina da prefeitura e é possível que, se a candidatura de Solange Amaral não se fortalecer, aconteça uma debandada da base partidária para a sua candidatura. Como a política vive de expectativa de poder, um bom estímulo a esse comportamento é a perspectiva de uma continuidade da prefeitura com a mudança apenas do prefeito, e uma boa parceria com o governo do estado, que se desenhou no começo da administração de Sérgio Cabral, mas acabou se inviabilizando pela proximidade do governador com o presidente Lula e, ao contrário, a postura do DEM do prefeito Cesar Maia de oposição ao governo federal. Tudo indica que, confirmada essa mudança, teremos no Rio elementos potencialmente fortes de "cristianização" de candidaturas durante a campanha, inclusive a do próprio Eduardo Paes, pois, se a resistência a seu nome por parte do deputado estadual Jorge Picciani parece estar superada, há outros setores do PMDB que trabalhavam contra a aliança com o PT, e continuarão na campanha contra Paes. A implosão do acordo político foi muito ajudada pela postura isolacionista do PT, que não se contentou em ter a cabeça de chapa no Rio e em Niterói. Diversos acordos municipais no Rio estavam sendo burlados pelos petistas, arrogantes mesmo sem expressão política como partido no estado, e não tendo em Alessandro Molon um candidato competitivo, apesar de suas possíveis qualidades pessoais. A gota d"água foi a indicação de que o PT estava disposto a atropelar ninguém menos que o capo peemedebista Jorge Picciani em seu reduto eleitoral, Queimados, um dos municípios mais pobres do Estado do Rio (renda per capita de R$501). O ex-governador Garotinho, que, juntamente com Picciani, dominava a estrutura partidária, ainda luta pela composição com o DEM. Mas sua força política, que já ficara abalada quando Picciani o abandonou para acompanhar Cabral na aliança com o PT, parece estar no ocaso pelo indiciamento como chefe de quadrilha armada pelo Ministério Público Federal. Um segundo candidato dentro do PMDB, o deputado federal Marcelo Itagiba, contava com a reação do partido contra o apoio ao PT, mas não parece estar em condições de se opor à indicação do governador Sérgio Cabral, agora que o principal obstáculo, a rejeição de Picciani a Eduardo Paes, foi minimizada pela necessidade de Picciani manter suas fatias de poder dentro da estrutura regional partidária. Esse movimento do governador Sérgio Cabral, atingindo por caminhos políticos tortuosos seu objetivo original de fazer de Eduardo Paes seu candidato à prefeitura, poderá fortalecê-lo politicamente à frente do governo do Rio, e permitir um trabalho conjunto com a prefeitura mais efetivo, no momento em que a capital entrou como finalista na disputa pela realização das Olimpíadas de 2016. O prefeito Cesar Maia tem a seu favor a realização dos Jogos Pan-Americanos, que foram um sucesso, mesmo com muitas promessas não tendo sido cumpridas, como o saneamento na Barra, o trem de superfície que ligaria a Barra ao Aeroporto Internacional Tom Jobim e ao Centro, e as linhas de metrô 4 (Barra-Zona Sul) e 6 (Barra-Baixada Fluminense). Mas um prefeito em harmonia com os governos estadual e federal teria grande chance de realizar o que faltou para o Pan e outros projetos mais, especialmente os de infra-estrutura, pois muitas obras terão que ser feitas para a realização da Copa do Mundo de 2014 no Brasil, dois anos antes, portanto, das Olimpíadas. E Eduardo Paes está bem posicionado também aí, pois é secretário de Esportes do estado, tanto que está em Atenas com o governador Sérgio Cabral para dividir com o prefeito Cesar Maia a vitória que representa o Rio estar entre as cidades finalistas para a realização das Olimpíadas. |
Entrevista:O Estado inteligente
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