O Estado de S. Paulo |
19/9/2007 |
Foi surpreendente e fortemente agressivo o lance do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos), que vinha sendo aguardado com tanta ansiedade. O corte dos juros de meio ponto porcentual, para 4,75% ao ano, decidido por unanimidade pelos dez membros do Comitê de Política Monetária do Federal Reserve (Fomc), era palpite de apenas 17% dos economistas pesquisados pela Bloomberg News. Nessas condições, foi inesperado. O conteúdo do comunicado divulgado após a decisão talvez tenha sido ainda mais importante do que o alentado corte dos juros. Lá ficou reconhecido o risco de desemprego e paradeira nos Estados Unidos: "As condições de aperto no crédito têm o potencial de intensificar a correção do setor de moradia e de restringir o crescimento econômico de maneira mais generalizada." Assim, a recessão passa à condição de inimigo número um a ser combatido pela política de juros. O ataque à inflação ficou para depois. Na reunião de 7 de agosto, quando já haviam pipocado os sinais de que a bolha imobiliária estourara, o Fed deixou claro que a tarefa mais importante seguia sendo o combate à inflação. O comunicado deixa no ar certa desproporção. Se a crise é tão grave e ameaça tanto a atividade econômica, por que o Fed demorou tanto para agir? E, mais do que isso, por que seu presidente Ben Bernanke até agora preferiu dizer que o risco de recessão era baixo e que o Fed se limitava a remover a trombose das veias do crédito? Alguma coisa deve ter acontecido nas duas últimas semanas para mudar o Fed. O mercado financeiro comemorou com jorros de champanhe e a festa deverá perdurar sabe-se por quantos dias mais. O Fed parece ter feito a coisa certa. Mas certas dúvidas deverão avançar a galope. Uma delas tem a ver com o que ficou a descoberto. Não vai aumentar ainda mais a liquidez global e, principalmente, a americana, que já era considerada excessiva? Para que poleiros voará a dinheirama que agora ficou mais densa com esse alentado corte dos juros? Se a bolha do crédito imobiliário cresceu tanto enquanto os juros estavam a 5,25% ao ano, que outras bolhas não se formarão agora? Se o presidente anterior do Fed, Alan Greenspan, que ostentava alto capital em credibilidade, vinha sendo criticado por tocar sua guitarra a juros baixos demais, como ficará Bernanke, novato no cargo? Parece agora inevitável a desvalorização do dólar não só diante das outras moedas fortes, mas também de outros ativos: commodities, ações, imóveis. Se o bloco do euro já vinha desconfortável com o enfraquecimento do dólar, imagine como ficará agora. A economia brasileira pode ser beneficiada com a novidade. Se a recessão americana for revertida, os mercados globais para o produto brasileiro continuarão se ampliando e o afluxo de investimentos estrangeiros diretos (IED) tem tudo para crescer. E, se a crise global for espantada, um dos obstáculos à continuidade do afrouxamento monetário (corte dos juros) pelo Banco Central do Brasil terá sido removido. A conferir. |
Entrevista:O Estado inteligente
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quarta-feira, setembro 19, 2007
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