segunda-feira, setembro 24, 2007

RUY CASTRO Outra cidade limpa



RIO DE JANEIRO - Preces foram ouvidas e, inspirado na iniciativa do prefeito Gilberto Kassab, que limpou São Paulo do entulho publicitário que a asfixiava, o Rio também resolveu arrumar a casa. Já poderia ter feito isso bem antes. Há anos não falta quem proteste contra os abusos que agridem uma das paisagens urbanas mais bonitas do mundo. Mas, antes tarde.
O projeto de lei do vereador Paulo Cerri (DEM) propõe o banimento de outdoors, painéis na lateral de edifícios e placas em marquises, além de regular os letreiros das lojas comerciais pelo tamanho das fachadas. Apenas por este último item já será um alívio ver o Rio livre daqueles letreiros de bancos, drogarias e casas de vídeo. No lugar deles, renascem as fachadas ecléticas, neoclássicas, art déco ou mesmo modernistas de seus edifícios.
Pena que, ao contrário da lei paulistana, o projeto carioca libere o mobiliário urbano e permita que ele continue a ostentar poluição. Com isso, já se pode imaginar os postes, placas de rua, sinais de trânsito e relógios infestados de galhardetes, painéis eletrônicos e outros apêndices para compensar os espaços perdidos.
A idéia de que uma cidade pertence a todos, mas não a cada um de seus habitantes, já tem milênios na Europa. Aliás, nasceu lá. No Brasil, a maioria dos nossos prefeitos nunca ouviu falar dela. Para eles, o dinheiro produzido por uma licença para instalar um estrupício publicitário é mais importante que a preservação do espaço onde será instalado o dito estrupício.
Os parques, praias, lagoas, praças, calçadões, encostas, trilhas e ciclovias do Rio, além de sua arquitetura, compõem um patrimônio natural e urbano iniciado há 500 anos. Pertence aos cariocas e a todos que se extasiam com ele, não aos agentes da poluição, sejam estes particulares ou administradores.

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