sábado, setembro 29, 2007

A reação positiva de um doente terminal

Despedida feliz

O professor americano Randy Pausch surpreende pela
forma positiva como enfrenta a proximidade da morte


Anna Paula Buchalla

Fotos Divulgação
Pausch com a família e fazendo flexões, em sua última palestra: blog, vídeos para os filhos e viagens programadas

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Assista ao vídeo da palestra de Pausch

O professor de ciência da computação Randy Pausch, da Universidade Carnegie Mellon, nos Estados Unidos, tem 46 anos e um câncer terminal. Seu prognóstico é sombrio. Restam-lhe apenas alguns meses de vida. No último dia 18, Pausch despediu-se de uma platéia de 400 pessoas, entre alunos e colegas da universidade, com a palestra intitulada "Como viver os seus sonhos de infância". Por seu tom positivo e impactante, o jornal americano The Wall Street Journal a chamou de "a palestra de uma vida". É uma atividade comum nos campi americanos convidar professores a fazer o que seria a sua última palestra. O mote dessas apresentações é: que tipo de sabedoria legariam a seus ouvintes caso lhes fosse dada uma última chance? Pausch – pai de três crianças pequenas – iniciou sua fala exibindo num telão imagens de sua tomografia computadorizada. "Os exames mostram cerca de dez tumores em meu fígado. Os médicos me disseram que tenho de três a seis meses de saúde razoável. Isso foi há um mês. Portanto, façam as contas", disse a uma platéia comovida. Avesso à autopiedade, fez uma palestra entremeada por piadas. "Se eu não pareço tão deprimido quanto deveria, desculpem desapontá-los", disse ele. Em certo momento, Pausch fez uma série de flexões com um braço só. "Ainda estou em melhor forma do que muitos de vocês", afirmou.

Há exatamente um ano, Pausch foi diagnosticado com câncer de pâncreas. É um dos tumores mais letais, com uma taxa de sobrevivência de 4% em cinco anos. Logo após o diagnóstico, ele foi submetido a uma operação para a retirada do tecido canceroso, então com 4,5 centímetros. Na tentativa de aumentar suas chances de vida, aderiu a tratamentos experimentais como uma vacina e uma combinação altamente tóxica de quimioterapia e radiação diária. Ao final desse tratamento, havia perdido 20 quilos. Foram tempos de uma difícil batalha até que, no mês passado, Pausch ouviu a notícia de que a doença voltara com força.

"O mais curioso de tudo é que não estou deprimido. Tampouco estou negando a doença – posso garantir que tenho plena consciência do que vai acontecer", escreveu ele em seu blog, no qual faz relatos minuciosos da evolução da doença. Esse tipo de reação diante da morte não é tão incomum. "Passada a fase mais difícil, de elaboração da doença, é possível encontrar formas de viver os últimos dias de maneira feliz", diz a psicóloga Fernanda di Lione, do Hospital Sírio-Libanês. Pausch resolveu morar na praia com a mulher e as crianças. Ele se concentra agora em deixar vídeos gravados para seus filhos e fará uma despedida especial com cada um deles – com o mais velho, Dylan, viajou recentemente à DisneyWorld.

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