Entrevista:O Estado inteligente

quinta-feira, maio 18, 2006

Atendendo a pedidos-Burguesia terá de abrir a bolsa, diz Lembo-MÔNICA BERGAMO

Atendendo a pedidos

Eduardo Graeff (18/05/06 17:45)

Permitida a reprodução citando a fonte
http://www.e-agora.org.br

A pauta de Mônica Bergamo na entrevista com Cláudio Lembo tinha dois ítens, ao que parece: 1) espremer o governador sobre a possibilidade de a polícia exorbitar na reação aos ataques comandados pelo PCC; 2) expor qualquer aresta possível entre o governador e seus aliados tucanos. O segundo é fuxico usual na fronteira do colunismo social com o político; tem quem se distraia com isso. O primeiro é um assunto relevante: seria duplamente trágico se esse episódio comprometesse o trabalho sério que a polícia paulista tem feito para enquadrar sua ação repressiva nos limites do uso comedido da força. Lembo fez uma defesa firme da atuação da polícia.

Quanto ao puxão de orelhas nas dondocas e dondocos paulistanos - a tal elite branca perversa -, francamente, foi mais do que merecido. Confira as declarações de alguns deles na coluna da própria Mônica Bergamo no dia anterior. Lembo não tem nada de esquerdista nem precisava ter para esculhambar isso.
Burguesia terá de abrir a bolsa, diz Lembo

Cláudio Lembo, entrevista à Folha de S. Paulo (18/05/06)

GUERRA URBANA /ENTREVISTA

Em entrevista à Folha, governador relaciona quadro social a ataques e afirma que mentalidade da minoria branca do Brasil tem de mudar

MÔNICA BERGAMO
COLUNISTA DA FOLHA

O governador de São Paulo, Cláudio Lembo, afirma que o problema de violência no Estado só será resolvido quando a "minoria branca" mudar sua mentalidade. "Nós temos uma burguesia muito má, uma minoria branca muito perversa", afirmou. "A bolsa da burguesia vai ter que ser aberta para poder sustentar a miséria social brasileira no sentido de haver mais empregos, mais educação, mais solidariedade, mais diálogo e reciprocidade de situações."

Lembo criticou o ex-governador Geraldo Alckmin, que disse que aceitaria ajuda federal contra as ações do PCC se ainda estivesse no cargo, e o ex-presidente FHC, que atacou negociação entre o Estado e a facção criminosa para o fim dos ataques. Leia abaixo os principais trechos da entrevista.


Folha - Os jornais estão noticiando hoje [ontem] que houve uma matança em São Paulo na madrugada de terça. A polícia está sob controle ou está partindo para uma vingança?
Cláudio Lembo - A polícia está totalmente sob controle. Eu conversei muito longamente com o coronel Elizeu Eclair [comandante-geral da PM] e estou convicto de que ela está agindo dentro dos limites e com muita sobriedade. Todas as noites há confrontos nas ruas da cidade e esses conflitos foram exasperados nesses dias. Mas vingança, não. A polícia agiu para evitar o pior para a sociedade.

Folha - Foram 93 mortes. Elas estão dentro dos limites? O senhor tem segurança que todos que morreram estavam em confronto?
Lembo - E o conflito que houve da cidade com a bandidagem? Foi violento. É possível que tenha havido tragédias, mas pelo que estou informado não houve nada que fosse além dos confrontos diretos.

Folha - Só no IML (Instituto Médico Legal) estão 40 mortos e não se sabe nem o nome dessas pessoas.
Lembo - Os nomes vão ser revelados. Estamos resolvendo questões burocráticas, de identificação, mas vão ser revelados.

Folha - Jornalistas da Folha entraram no IML e viram fotos de pessoas mortas com tiros na cabeça. Que garantia a sociedade tem de que não morreram inocentes e de que o Estado, por meio da polícia, não está executando essas pessoas?
Lembo - Não está, de maneira alguma. E digo a você: fui muito aconselhado a falar tolices como "aplique-se a lei do Talião". Fui totalmente contrário. Faremos tudo dentro da legalidade e do Estado de Direito.

Folha - O senhor não se assusta com o número de mortos?
Lembo - Eu me assusto com toda a realidade social brasileira. Acho que tudo isso foi um grande alerta para o Brasil. A situação social e o câncer do crime é muito maior do que se imaginava. Este é o grande produto desses dias todos de conflito. Nós temos que começar a refletir sobre como resolver essa situação, que tem um componente social e um componente criminoso, ambos gravíssimos. O crime organizado trabalha com a droga. A droga é um produto caro, consumido por grandes segmentos da sociedade. Enquanto houver consumidor de drogas, haverá crime organizado no tráfico. É assim aqui, na Itália, nos EUA, na Espanha. O crime se alimenta do consumidor de drogas.

Folha - E da miséria...
Lembo - Talvez no Brasil tenha esse componente também. O crime organizado destruiu valores. O Brasil está desintegrado. Temos que recompor a sociedade. A questão social é muito grave.

Folha - O senhor é um homem público há tantos anos, está num partido, o PFL, que está no poder desde que, dizem, Cabral chegou ao Brasil.
Lembo - Essa piada é minha.

Folha - O que o senhor pode dizer para um jovem de 15 a 24 anos, que vive em ambientes violentos da periferia? Que ele vai ter escola? Saúde? Perspectivas de emprego? Como afastá-lo de organizações criminosas como o PCC?
Lembo - Acho que você tem duas situações muito graves: a desintegração familiar que existe no Brasil, e a perda... Eu sou laico, é bom que fique claro para não dizerem que sou da Opus Dei. Mas falta qualquer regramento religioso. O Brasil está desintegrado e perdeu seus valores cívicos. É ridículo falar isso mas o Brasil só acredita na camisa da seleção, que é símbolo de vitória. É um país que só conheceu derrotas. Derrotas sociais...Nós temos uma burguesia muito má, uma minoria branca muito perversa.

Folha - Que ficou assustada nos últimos dia.
Lembo - E que deu entrevistas geniais para o seu jornal. Não há nada mais dramático do que as entrevistas da Folha [com socialites, artistas, empresários e celebridades] desta quarta-feira. Na sua linda casa, dizem que vão sair às ruas fazendo protesto. Vai fazer protesto nada! Vai é para o melhor restaurante cinco estrelas junto com outras figuras da política brasileira fazer o bom jantar.

Folha - Tomar conhaque de R$ 900 [preço de uma única dose do conhaque Henessy no restaurante Fasano].
Lembo - Nossa burguesia devia é ficar quietinha e pensar muito no que ela fez para este país.

Folha - O senhor acha que essas pessoas são responsáveis e não percebem?
Lembo - O Brasil é o país do duplo pensar. Conhecemos a inquisição de 1500 até 1821. Então você tinha um comportamento na rua e um comportamento interior, na sua casa. Isso é o que está na sociedade hoje. Essas pessoas estão falando apenas para o público externo. É um país que é dúbio.

Folha - Onde o senhor responsabiliza essas pessoas?
Lembo - Onde? Na formação histórica do Brasil. A casa grande e a senzala. A casa grande tinha tudo e a senzala não tinha nada. Então é um drama. É um país que quando os escravos foram libertados, quem recebeu indenização foi o senhor, e não os libertos, como aconteceu nos EUA. Então é um país cínico. É disso que nós temos que ter consciência. O cinismo nacional mata o Brasil. Este país tem que deixar de ser cínico. Vou falar a verdade, doa a quem doer, destrua a quem destruir, porque eu acho que só a verdade vai construir este país.

Folha - Mas qual é, objetivamente, a responsabilidade delas nos fatos que ocorreram na cidade?
Lembo - O que eu vi [nas entrevistas para a Folha] foram dondocas de São Paulo dizendo coisinhas lindas. Não podiam dizer tanta tolice. Todos são bonzinhos publicamente. E depois exploram a sociedade, seus serviçais, exploram todos os serviços públicos. Querem estar sempre nos palácios dos governos porque querem ter benesses do governo. Isso não vai ter aqui nesses oito meses [prazo que resta para Lembo deixar o governo]. A bolsa da burguesia vai ter que ser aberta para poder sustentar a miséria social brasileira no sentido de haver mais empregos, mais educação, mais solidariedade, mais diálogo e reciprocidade de situações.

Folha - O senhor diria que elas pensam que aquele rapaz de 15 a 24 anos, que vive perto da selvageria...
Lembo - ...pode ser o Bom Selvagem do Rosseau? Não pode.

Folha - O endurecimento na legislação pode resolver o problema?
Lembo - Transitoriamente pode resolver. Mas se nós não mudarmos a mentalidade brasileira, o cerne da minoria branca brasileira, não vamos a lugar algum.

Folha - O senhor diz que muita gente falou besteira sobre os episódios. Dos EUA, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso criticou a possibilidade de o governo ter feito acordo com os criminosos para cessar a violência.
Lembo - Eu acho que o presidente Fernando Henrique poderia ter ficado silencioso. Ele deveria me conhecer e conhecer o governo de SP. Eu não posso admitir nem a hipótese de se pensar isso. Para opinar sobre um tema tão amargo, tão grave, ele teria que refletir, pensar. E se informar. Quanto ao presidente [FHC], pode ser que eventualmente ele tenha precedente sobre acordos. Eu não tenho.

Folha - Vimos o senhor dando muitas entrevistas na TV. Mas SP teve um outro governador [Alckmin], tem um candidato ao governo e ex-prefeito [Serra]. O senhor ficou sozinho?
Lembo - No poder, um homem é absolutamente solitário. Houve momentos em que praticamente fiquei sozinho. Mas devo agradecer a Polícia Militar e a Polícia Civil também, que estiveram firmes ao meu lado.

Folha - O ex-governador Alckmin telefonou para o senhor em solidariedade?
Lembo - Dois telefonemas.

Folha - O senhor achou pouco?
Lembo - Eu acho normal. Os pulsos [telefônicos] são tão caros...

Folha - E o candidato José Serra?
Lembo - Não telefonou. Eu recebi telefonema da governadora Rosinha [do Rio de Janeiro] e de Aécio Neves [governador de MG], que estava em Washington, ele foi muito elegante. Um ofício do governador Mendonça, de Pernambuco. Recebi muitos apoios, do Poder Judiciário, e a Assembléia Legislativa, deputados de todas as bancadas, nenhum partido faltou.

Folha - As autoridades paulistanas garantiram, nos últimos anos, que o PCC estava desmantelado, que era um dentinho aqui ou ali. Elas enganaram os paulistanos?
Lembo - Não saberia responder. Eu não engano. Eu acho que nós ganhamos uma situação mas é um grande risco. Temos que ficar muito atentos.

Folha - Essas autoridades garantiram que o PCC tinha acabado. Ou elas enganaram...
Lembo - Ou o dentinho era maior do que elas diziam.

Folha - Ou foram incompetentes. O senhor vê terceira alternativa?
Lembo - Pode ser que tenham sido exageradas no momento de transferir segurança. Quiseram ser tranquilizadoras.

Folha - Então elas iludiram as pessoas?
Lembo - É possível.

Folha - O senhor pode dizer que o PCC pode acabar até o fim de seu governo?
Lembo - Só se eu fosse um louco. E ainda não estou com sinal de demência. Acho que o crime organizado é perigosíssimo. Ele se recompõe porque ele tem possibilidades enormes na sociedade.

Folha - O ex-presidente Fernando Henrique não telefonou?
Lembo - Não, não. Ele estava em Nova York. O presidente Lula telefonou, foi muito elegante comigo. Conversei muito com o presidente, ele me deu muito apoio. E o Márcio [Thomaz Bastos] veio, conversamos firmemente, com lealdade. E ele chegou à conclusão que não era necessário nem Exército nem a guarda nacional. Tivemos uma conversa responsável, e o equilíbrio voltou. Mostrei que a Polícia Civil e a Polícia Militar tinham condições de fazer retornar a SP a ordem e a disciplina social.

Folha - O Datafolha mostrou que 73% acham que o senhor deveria ter aceitado ajuda federal. O governador Alckmin disse que não rejeitaria a ajuda.
Lembo - Ele decidiria, se fosse governador, como achava melhor. Eu decidi da forma que achei melhor. Quanto às outras pessoas, faltou clareza de informação da minha parte. E aí me penitencio. Não é que não aceitei ajuda do governo. Ao contrário. Desde sempre houve vínculo forte entre o sistema de informação da polícia federal e a polícia de SP. A superintendência da PF em SP foi extremamente leal, solícita e dinâmica. Eu tinha uma Polícia Militar muito aparelhada. Eu não poderia tirar esse respeito e esse moral que a tropa tinha que ter naquele momento tão difícil aceitando tanques de guerra do Exército. E aí uma sociedade que gosta de paternalismo, como a brasileira, queria Exército, tropas americanas, tropas alemãs, tropas de todo o mundo aqui. Não é assim. Temos que ser fortes, saber decidir em momentos difíceis e dar valor ao que é nosso. Foi o que fiz. Em 48 horas liquidou-se o problema. O Exército é para matar o adversário. Eu queria recolher os adversários possíveis. Nós estávamos num conflito social.

MÔNICA BERGAMO

Ana Ottoni - 31.ago.2004/Folha Imagem
"Me deu um ataque de fúria", diz Attílio Baschera, que está convocando um protesto pela paz nas ruas


Meu dia de periferia O high society paulistano viveu seu dia de periferia na segunda-feira, 15. Toques de recolher espontâneos, bandidos por perto, pânico nas ruas. Foi um choque.

 

"Me deu um ataque de fúria", diz Attílio Baschera, dono de um antiquário e figura das mais queridas do circuito Jardins/Higienópolis/Morumbi. "São Paulo vai virar o quê, uma Bagdá?". Indignado, Attílio passou e-mail a 50 amigos conclamando todos para um protesto. "Se podemos fazer passeata gay na avenida Paulista, se podemos permitir também vandalismos depois de jogos de futebol, na mesma avenida, por que não podemos organizar uma grande passeata de protesto contra a corrupção e ineficiência de nossos dirigentes?!?!?!".

 

Até ontem, o resultado da iniciativa não tinha sido muito animador: ninguém havia aderido à possível passeata. Rosângela Lyra, que comanda a Dior no Brasil, por exemplo, repassou o e-mail a amigos e embarcou para Nova York.

 

Attílio não desanima. "É um pensamento meio revolucionário: precisamos aguçar, chacoalhar as pessoas para uma atitude mais drástica", diz ele, que ainda sonha em "colocar 2 milhões de pessoas na Paulista".

 

Uma locadora de veículos em Moema informava que quase dobrou o número de locações de carros blindados de luxo na segunda: passou de cinco (a média normal) para nove. Os modelos mais procurados foram o Passat e o Omega -a 1.000 cada 24 horas.

 

A rotina de festas nos bairros nobres se alterou de forma radical. Às 16h da segunda, com 40 rebeliões em curso em presídios e dezenas de pessoas morrendo nas ruas, o consultor de etiqueta Fábio Arruda concluiu que o melhor a fazer era adiar a festa de seu aniversário, que seria comemorada em um restaurante dos Jardins. "A cidade estava um caos e era a hora do "dá ou desce". Resolvi descer, para não começar a chorar. Desmarquei a festa. Não havia clima!"

 

Arruda foi à luta. "Armei uma pequena operação de guerra", diz. Ligou para socialites como Betty Szafir e Cecília Neves e pediu ajuda para avisar os 200 convidados de que naquele dia não teriam festa. "O problema é que muitos celulares não funcionam. Está um inferno!", desabafava ele, no meio da operação-desmonte. "A meia dúzia que eu avisei me disse que já não ia mesmo, porque estava com medo", diz a amiga Betty Szafir, que passou o dia trancada em casa, nos Jardins.

 

E lá se foram para o lixo os 40 arranjos de orquídeas que decorariam a festa de Arruda, assim como grande parte do "arroz de puta rica", recheado com frutos do mar. As garrafas de champanhe, que já estavam no gelo, foram salvas -ficarão para a próxima segunda, para quando foi transferida a comemoração.

 

Já os 36 kg de patê (fígado, "egg salad", coalhada) seriam jogados fora. "Não dá para guardar. Vai estragar!", desabafava Arruda. "Pedi dois motoristas emprestados de minhas amigas para levar os docinhos [são 1.600, fora o bolo de oito quilos] para instituições de caridade." Outro problema: "Trouxe para o restaurante 350 hipopótamos [bonecos de vários tamanhos, de sua coleção particular]. Precisei de um caminhãozinho e agora terei que levar tudo de volta!"

 

Eram também 16h quando, no Alto de Pinheiros, o arquiteto Marcelo Faisal, também com festa de aniversário marcada, deu a ordem: "Cancela tudo!". "Realmente, hoje não é dia de festa, né? É um dia triste", comentava com a coluna, por telefone, interrompendo para atender o celular: "Oi, Dé! Cancelei, tá? É... Vamos marcar para quinta-feira".

 

"Tô" exausto de ficar ao telefone! Imagina, desmarcar com 150 convidados. É super desagradável!", dizia. "E o "TV Fama" vinha, o [apresentador da TV Gazeta] Rammy vinha... É muito chato", contava Faisal. E, atendendo outro "desconvidado" ao celular: "Quero fazer a festa na quinta. Mas vai depender desse estresse da cidade".

 

O prejuízo "é pequeno, mas existe", segundo Faisal. Dos 72 litros de sopa e macarrão, grande parte seria jogada fora. "Estou superchateado". As guarnições da massa, como o champignon de Paris, foram levados por funcionários, que, sem ônibus, partiram para a casa nos carros do bufê.

 

Foram dezenas de eventos cancelados. O promoter Cacá Ribeiro, um dos organizadores da inauguração do Salão de Festas da Casa Cor, no Jockey, adiou sua festa. "Super chato, né? O problema é que, em uma festa grande, para 1.500 pessoas, não dá para desconvidar todo mundo. Então colocamos umas duas ou três pessoas na porta do Jockey". Quem chegava recebia o aviso de cancelamento e um docinho como consolo.

 

Foram distribuídos para funcionários ou jogados no lixo os 30 arranjos de orquídeas e as dezenas de bem-casado.

CURTO-CIRCUITO

O antropólogo Rodolfo Guttilla lança hoje, às 18h30, o livro "A Casa do Santo & o Santo de Casa", na Livraria da Vila.
O bar Mosteiro de San Galo será inaugurado hoje, a partir das 20h, na Vila Madalena (rua Harmonia).
José Roberto Auriemo inaugura hoje outra unidade do "The Fifties", com projeto de Sig Bergamin, na Vila Olímpia.
A Gradiente e a TVA fazem hoje, às 19h30, o coquetel de inauguração do espaço HDTV, no shopping Iguatemi.
Bob Yang inaugura hoje, às 20h, o bar Baleares, espaço lounge com restaurante, na rua Bela Cintra.

Arquivo do blog