Entrevista:O Estado inteligente

segunda-feira, outubro 10, 2005

Ilimar Franco A CPI dos fatos indeterminados

O GLOBO

A CPI dos Bingos é a principal dor de cabeça do governo no Congresso. Não apenas porque o governo tem minoria na comissão do Senado, mas também pelo fato de que ela vai funcionar no ano eleitoral, por ter sido a última a ser instalada. É por isso que o presidente Lula tem se esmerado em criticá-la.

Está dando a senha para que seus aliados partam para o ataque. Aliás, entre os assessores do presidente a comissão é chamada de "a República do Galeão", numa alusão à investigação paralela montada na Aeronáutica para apurar o atentado da rua Tonelero em 1954.

Os governistas não descartam adotar medidas judiciais contra os abusos que estariam sendo cometidos pela comissão. Criada para investigar a atuação dos bingos no país, a CPI está mais para uma devassa ampla, geral e irrestrita. Ela está investigando o assassinato de Celso Daniel em Santo André, a cobrança de propina em Ribeirão Preto, o contrato da GTech com a Caixa Econômica Federal, a lavagem de dinheiro via doleiros e o adiantamento de viagem do PT para o presidente Lula.

Sim ou não

Um sinal amarelo acendeu na Frente Parlamentar do Desarmamento. A treze dias do referendo uma pesquisa qualitativa constatou que os eleitores estão confusos quanto ao voto que darão. Ocorre que o eleitor ao votar "sim" estará dizendo não ao comércio de armas. Já o eleitor que votar "não" estará votando a favor do comércio de armas. As duas frentes devem usar os últimos programas para ensinar o eleitor a votar.

Contra o tempo

Apesar do empenho do presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PCdoB-SP), em dar uma resposta à crise, a reforma política não sai para as eleições de 2006. Nem mesmo a emenda Ney Lopes (PFL-RN) resolve. Sua aprovação na Câmara e no Senado, devido aos prazos regimentais, só deverá ocorrer em 20 de novembro. Serão apenas 40 dias para os partidos chegarem a um acordo sobre mudanças complexas.

OS PETISTAS fizeram muitas queixas à comunicação do governo na reunião de sexta-feira com o presidente Lula. Argumentaram que os governadores da oposição estavam se apropriando das obras feitas com recursos federais. O deputado Carlos Santana (PT-RJ) lembrou que a recuperação da indústria naval era uma conquista do governo Lula, mas que quem estava faturando era a governadora Rosinha Garotinho e o presidenciável Anthony Garotinho.

UM NOVO bloco de esquerda está sendo articulado na Câmara. Participariam dele parlamentares do PT, do PSOL, do PSB e do PDT que são contra a política econômica do governo Lula.
E-mail para esta coluna: ilimar@bsb.oglobo.com.br

Fator de coesão

O PT concluiu ontem, com a realização do segundo turno para escolher seu futuro presidente, o processo de eleições internas. A votação direta dos filiados, implantada em 2001, como forma de assegurar a hegemonia dos moderados, cumpriu seu papel e impediu uma reviravolta no partido num momento delicado, no qual sua antiga direção ruiu num escândalo financeiro e ético.

Os petistas de vários matizes concordam que o partido não será o mesmo, independentemente de quem for o vitorioso: Ricardo Berzoini ou Raul Pont. O primeiro turno das eleições já produziu as mudanças consideradas essenciais. A hegemonia da Articulação foi interrompida. Sua cota no Diretório Nacional caiu de 42, dos 81 integrantes, para 34. As tendências de esquerda ampliaram sua presença de 27 para 30. O Movimento PT, um grupo de centro com idéias não muito definidas e que se coloca como mediador do embate entre os moderados e a esquerda, cresceu de 12 para 17.

A principal mudança é a que aponta a necessidade que a Articulação terá de negociar, pelo menos com o Movimento PT, para continuar mandando. A própria Articulação corre o risco da fragmentação com a perda de poder de seu líder político, o deputado José Dirceu (PT-SP), até que alguém se imponha como novo chefe da tendência.

A posição adotada pelo Movimento PT, de apoiar Raul Pont no segundo turno, indica que a nova maioria será mais crítica em relação a aspectos do governo Lula, como a política econômica, a política de alianças eleitorais e a participação dos aliados no governo Lula. Se o PT fizer a opção por Berzoini esta flexão será suave, mas se o escolhido for Pont se pode prever maior tensão.

A disputa interna no PT, que já levou à criação do PSTU, no passado, e do PSOL, recentemente, não se resolverá com o atual processo eleitoral. A crise petista é grave e está longe de acabar. Mas poderá ficar represado por causa das eleições de 2006, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tentará reeleger-se. O presidente, com seu carisma, a popularidade que lhe resta e sua discrição na disputa petista, acreditam seus assessores, vai garantir um mínimo de unidade interna. O próprio Lula já mostrou disposição de juntar os cacos na sexta-feira, quando prometeu à bancada petista na Câmara que passará a informar e discutir com os líderes as principais decisões e medidas que o governo vier a adotar.

O deputado Eduardo Gomes (TO), da Executiva do PSDB, quer que o povo faça a reforma política e eleitoral. Está propondo um plebiscito sobre o tema nas eleições de 2006.

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