Entrevista:O Estado inteligente

sexta-feira, outubro 07, 2005

EDITORIAL DE O GLOBO Basta querer




Relançado o debate sobre o avanço da favelização no Rio, um tema-chave para a cidade e todos os cariocas, o prefeito Cesar Maia, autoridades em geral, parlamentares e especialistas entraram no circuito da discussão, de forma legítima e positiva. Só no confronto das diversas opiniões é que se criará algum consenso e massa crítica de pressão política para se começar a resolver, de forma efetiva, um problema da máxima gravidade.

Mas há sempre o risco de discussões sobre temas sensíveis como esse perderem o rumo. Para contornar esse risco, é necessário recolocar a questão, tantas vezes quanto for preciso.

Independentemente da posição que se tenha diante do assunto, não se pode deixar de reconhecer que a favelização é crescente, com evidentes desdobramentos na área de segurança pública.

Calcula-se que morem em favelas cerca de 20% da população do município, ou aproximadamente um milhão de pessoas, quando, em 1950, segundo o IBGE, estavam nessa situação apenas 7% dos cariocas. A expansão das favelas é visível. Para constatá-la, há muito não se requer mais pesquisadores e levantamentos técnicos. A degradação em curso na área da Avenida Brasil, por exemplo, é dramática e veloz. E até mesmo didática, por mostrar como o crescimento das favelas é capaz de gerar hoje a miséria de amanhã, ao expulsar empresas e afugentar investimentos.

Com isso, a cidade entra num círculo vicioso de decadência, a ser quebrado apenas por uma ação conjunta do poder público e da sociedade. Não há alternativa. Assim, diante dessa situação de absoluta emergência, a remoção precisa voltar a ser praticada na defesa dos próprios favelados, vítimas de esquemas populistas que transformaram as comunidades pobres em currais de eleitores, e que, como tal, precisam ser mantidas na pobreza.

Mudanças de leis devem ser feitas, assim como um programa amplo de desfavelização tem de estar integrado a projetos de investimento em transporte de massa e na área habitacional. Mas a legislação existente já permite ao poder público agir para preservar o que resta de florestas na cidade, impedir agressões gritantes às posturas municipais, como a montagem de barracos embaixo de pontes e viadutos etc.

Não há mais por que adiar essas ações.

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