O PT fez um jogo de perde-perde em Minas com sua posição radical contra a coligação com o PSDB para a eleição da prefeitura de Belo Horizonte, esticou a corda até o final e, em vez de um acordo amplo, tentou colocar o governador Aécio Neves num córner político afirmando que nem mesmo uma coligação informal com os tucanos de Minas seria aceita. Essa é uma ofensa premeditada ao governador do segundo maior colégio eleitoral do país, que comanda a terceira economia mais desenvolvida e tem uma aprovação de mais de 70% da população do estado. É uma ofensa com claro objetivo político, o de marcar o governador de Minas como um político que não preenche os requisitos para ser um aliado do PT.
Na verdade, o que objetivam mesmo é impossibilitar uma pressão para uma eventual futura aliança no caso de Aécio Neves vir a ser o candidato do PSDB à sucessão presidencial. Desse ponto de vista, seu projeto político nacional fica enfraquecido, pois, com essa manobra, o que o governador de Minas queria era se apresentar como o candidato capaz de unir os divergentes.
Mas, quando um não quer, dois não fazem acordo.
De positivo para o governador Aécio Neves ficou o fato de que o PT de Minas rachou ao meio, de maneira quase irrecuperável, atingindo até mesmo a relação pessoal do prefeito Fernando Pimentel com os ministros Patrus Ananias, do Desenvolvimento Social, e Luiz Dulci, da Secretaria Geral da Presidência.
O fato concreto é que o PT governa Belo Horizonte há 16 anos, e tirar a prefeitura deles já é uma vitória de Aécio Neves, para pôr no lugar alguém que é de sua base política, o secretário Márcio Lacerda, do PSB. Este é um gesto também de aproximação com um partido que é aliado histórico do PT e hoje está mais próximo do grupo do PSDB de que faz parte Aécio, juntamente com Tasso Jereissati.
Essa união, que tem até mesmo a simpatia do presidente Lula, poderia gerar uma aliança entre o potencial candidato a presidente do PSB, Ciro Gomes, com o PSDB, caso o grupo do governador de Minas se impusesse dentro do partido para definir o candidato à sucessão.
Uma união quase impossível diante da reação do núcleo paulista, que tem por Ciro a mesma consideração que este tem pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso ou pelo governador José Serra. Mas que poderia gerar uma explicitação de um sentimento antipaulista, com o qual o governador mineiro também conta para seus planos políticos.
O PT agiu premeditadamente, e abriu mão até mesmo da possibilidade de vir a eleger o futuro governador de Minas para evitar que se montasse um esquema político que pressionaria o partido a desistir de lançar um candidato próprio à sucessão de Lula.
O acordo entre o governador Aécio Neves e o prefeito Fernando Pimentel poderia acabar fazendo deste o candidato à sucessão mineira em 2010, o que desagrada tanto ao PT nacional quanto ao PSDB não mineiro.
Há em curso um jogo de poder interno no PT, onde o ministro da Justiça, Tarso Genro, é candidatável a presidente e não quer a ministra Dilma Rousseff, que hoje é a preferida de Lula, na hipótese de ter que apoiar alguém do próprio PT. Os grupos petistas estão se preparando para ter uma influência no jogo de poder futuro do pós-Lula, e por isso até mesmo a opinião de Lula não conta tanto. Preferem perder a eleição a perder o controle do partido.
O governador Aécio Neves tem duas visões da questão, e vai decidir mais adiante.
Só não abre mão do objetivo central, que é o de eleger Márcio Lacerda prefeito de Belo Horizonte, a bordo de uma grande coalizão.
A primeira, optando pelo apoio na informalidade, seria desprezar o veto: se o PT quer eleger o meu candidato sem que eu faça esforço, estou mesmo precisando tirar umas férias. Se, no entanto, prevalecer a percepção de que é ele quem está sendo menosprezado pelo PT, e que isso politicamente o prejudica, pode decidir eleger Lacerda sem o PT na chapa.
O governador tem projetos de investimento na capital de R$ 2 bilhões em dois anos, e pretende ter um parceiro na prefeitura, para mostrar com fatos aos eleitores da capital que defende o interesse da cidade, e não dos partidos. O PSB vai fazer reuniões juntamente com diversos partidos da base para pressionar o PT.
A decisão final vai ser da direção nacional do PT com a do PSB, e, se o PT não quiser participar, estará se distanciando ainda mais de um de seus aliados históricos e marcando sua face isolacionista e intervencionista.
Os vetos petistas podem ter prejudicado o projeto nacional do governador Aécio Neves, mas lhe prestaram dois serviços: nacionalizaram a campanha de Belo Horizonte e deram popularidade ao candidato oficial, Márcio Lacerda.
O prefeito Fernando Pimentel é que fica em situação difícil, e provavelmente depois da eleição deve sair do PT, pois está claro que ele não será candidato do partido à sucessão de Aécio.
A prefeitura de BH para o PT é o que dá alguma perspectiva política ao partido em Minas, além de cargos para os seus e os aliados. O PT é o sexto partido em Minas em número de prefeituras.
Se perderem a de BH, perdem a possibilidade de ter um candidato competitivo ao governo em 2010, por que ficam sem base no estado.
E ganham um adversário de peso no segundo colégio eleitoral do país.
Podem também estar criando condições para uma reaglutinação de forças no PSDB, na impossibilidade de uma aliança mais ampla.
Ontem, ao falar de “mapas nacionalistas”, esqueci de citar a iniciativa de Hans Donner, realizada por ocasião dos 500 anos do Brasil. Ele desenhou um relógio com o Brasil no centro do mundo e com os ponteiros apontando para nosso país. Modelos do relógio, em tamanho gigante, foram instalados em todas as capitais do país.
Entrevista:O Estado inteligente
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