Entrevista:O Estado inteligente

sexta-feira, junho 13, 2008

Eliane Cantanhede - Só Freud não explica



Folha de S. Paulo
13/6/2008

Alvos de acusações, nada, pouco ou muito provadas, sempre se dizem "vítimas de armação política". E quem denuncia, seja nada, pouco ou muito sério, é soterrado por uma avalanche de adjetivos desqualificantes. No fim, alvo e algoz param em patamares bem parecidos.
Quando Pedro Collor denunciou o governo do irmão Fernando, o então presidente se colocou como vítima da inveja e de uma trama urdida por adversários, sem se defender das acusações factuais. Caiu Fernando, e Pedro perdeu o apoio da família e dos amigos e nem por isso conquistou reconhecimento. Morreu dois anos depois, sem nenhuma glória.
Quando Nilcéa abriu a boca para botar os podres do marido Celso Pitta na Prefeitura de São Paulo, ele logo se pôs em campo para dizer que ela era uma maluca, uma despeitada. Ele nunca contestou os fatos denunciados por ela, e Nilcéa foi desqualificada, no mínimo, como traidora.
Mais recentemente, Mônica Veloso não suportou ver seus interesses contrariados e acusou o presidente do Senado, Renan Calheiros, de falcatruas. Destruiu a carreira política do homem que dizia amar e aproveitou para capitalizar a própria beleza, sob pesadas críticas.
Agora, Denise Abreu denuncia Milton Zuanazzi, Dilma Rousseff e o compadre do presidente da República, Roberto Teixeira, de pressão para levantar o defunto Varig.
Guardadas as proporções, já que Zuanazzi e Dilma, por exemplo, não estão sob nenhuma suspeita de enriquecimento ilícito, o fato é que é gente "de dentro" contando histórias -que precisam ser tiradas a limpo.
Para Lula, isso ocorre apenas porque Dilma é presidenciável e "só Freud explica" a atitude de Denise Abreu -como fizeram com Pedro Collor, Nilcéa Pitta e Mônica Veloso. Mas, mais importante do que quem delata, e por que o faz, é o que delata. São os fatos. A eles, pois.

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