| Correio Braziliense |
| 8/6/2006 |
Não nascem do acaso pirações como a do figurão do PT que comandou a invasão da Câmara O ataque criminoso da horda bestializada sob o comando de um dos figurões do PT, seu secretário nacional dos Movimentos Populares, Bruno Maranhão, contra a Câmara dos Deputados é caso para cadeia do próprio e dos líderes do grupo que o celerado militante criou em Pernambuco e espalhou por 11 estados: um tal MLST, Movimento de Libertação dos Sem-Terras, que não é uma dissidência do MST, a maior das várias de organizações surgidas no campo para pressionar pela reforma agrária e que estão perdendo o rumo. Nem alegar insanidade este dirigente petista poderá, pois foi ao ataque com consciência de seu ato e, antes de ser detido pela PM de Brasília, dizia não se arrepender de nada do que fizera: dos prejuízos materiais, das vítimas da violência inaudita, que não pode jamais ser tolerada, e de seu extremo descaso com o Estado de direito. Maranhão não pode ficar mais um dia no PT. Seu caso é de expulsão sumária, não do simples afastamento dos cargos que ocupa, como decidiu a direção do partido, tal a gravidade de sua perfídia não só ao governo que afirma apoiar, mas sobretudo à democracia. O MLST se nivelou a um PCC, a facção criminosa que barbarizou São Paulo três semanas atrás, e só lhe resta ser dissolvido com todo o rigor da lei, amparando o governo com o Bolsa Família e o cadastro do Incra os acampados que o grupo arregimentou — os inocentes que seguem a orientação deste agitador descerebrado. Ele tomou por fraqueza as mesuras do presidente Lula, que o recebeu em Palácio em duas ocasiões, a última em novembro, e até o hospedou na Granja do Torto. A dubiedade pode ser uma arte, desde que bem praticada. O exercício do poder tem sido didático para Lula, mas nem sempre demonstra ter captado todas as lições aprendidas, como no caso dos parlamentares petistas denunciados ao STF devido ao envolvimento com o valerioduto. O presidente justificou seus malfeitos e até os estimulou a voltarem a concorrer já agora em outubro. Parece não estar consciente, talvez inebriado pela vantagem que lhe dão as pesquisas de intenção de voto, que brincar com fogo é pedir para ser queimado. Seu amigo Maranhão era uma bomba ambulante. Mantra da esquerda A pretexto de não criminalizar os movimentos sociais — espécie de mantra da esquerda capaz de paralisar a razão e o juízo de pessoas sensatas —, Lula tem sido brando demais com a escalada de desordem provocada por entidades que de sem-terras estão se transformando em contestadoras do sistema econômico e da legislação, assim como da ordem. Não demora e o senso de impunidade que acompanha estes grupos políticos desencarnados, porque sem registro formal, embora recebam subsídios oficiais, vai voltar-se contra o próprio governo Lula, sobretudo num segundo mandato. Basta continuar ignorando as afrontas ao Estado de direito e não mandar o aparato de segurança e a Justiça impor limites a essa gente. Mapa do achincalhe A invasão ao Congresso surge apenas como mais um ponto no roteiro de achincalhe das instituições. Um dia vão querer se aboletar até no Palácio do Planalto. Que o presidente leve a sério o que pensam e falam de seu governo setores da CUT, do MST e mesmo do PT, nos encontros formais. Tem pouco a ver com o governo que ele exerce e pede para ser dobrado ao eleitor, que vai votar no que vê e sente, não em promessas ou no que exigem governistas contrariados. É possível ir adiando o dia em que tais diferenças programáticas terão de ser resolvidas no interior do PT, com repercussões junto ao arco de entidades influenciadas pelo partido. Difícil é supor que os desencontros de idéias não façam mal ao governo. O encontro de contas em princípio foi jogado para setembro de 2007, a data de sua convenção nacional. Supõe-se que o alinhamento entre Lula e o PT não interessa a nenhum deles, na medida em que favorece a visão dúplice de que fala o deputado Raul Jungmann, do PPS, ao discorrer sobre o vandalismo liderado por um dirigente petista. Só que para o presidente vai ficando como torcer pelo Santos e o Corinthians. Lula vai para o segundo mandato disposto a comandar outra rodada de reformas econômicas e do Estado ou dará ouvidos aos aliados que propõem a inflexão da rota, com aumento do gasto público, quando o esperado é que os submeta à dieta, só para começar? Parece que ele já fez a opção, o que resta aos descontentes aderir, para ficar de bem com o governo, ou procurar outra turma. O ideal é que Lula explicitasse a sua preferência antes de outubro. |
Entrevista:O Estado inteligente
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