Entrevista:O Estado inteligente

terça-feira, junho 06, 2006

Mal menor


EDITORIAL
Folha de S. Paulo
6/6/2006

A VITÓRIA de Alan García no segundo turno das eleições presidenciais
peruanas é o triunfo do "mal menor". Essa observação pode soar
chocante aos que têm na memória o desastre que foi a sua primeira
Presidência, entre 1985 e 1990.
Daquela vez, García recebeu um país cheio de problemas, mas o
devolveu em frangalhos, com hiperinflação, violência terrorista
promovida pelo Sendero Luminoso e muita corrupção.
Só que a alternativa ao ex-presidente parecia ainda mais temível.
Quem disputou o escrutínio final com García foi Ollanta Humala, ex-
militar que já participou de uma quartelada e que tinha como únicas
credenciais um discurso nacionalista histriônico e o apoio do
presidente venezuelano, Hugo Chávez. Prometia proibir companhias
estrangeiras de atuar em setores "estratégicos" e falava em
industrializar a produção de folhas de coca.
Muitos acusavam Humala de esconder suas verdadeiras posições, que
seriam tão radicais quanto as do resto de sua família. O pai e o
irmão militam num partido que pretende refundar o império inca, numa
democracia exclusiva para índios e "mestizos".
Embora García permaneça um líder populista, não há razões para
acreditar que ele não aprendeu nada com os erros de sua primeira
passagem pela Presidência. Governará um país em melhor situação:
desde 2002, a economia cresce à média anual de 5%. O Sendero Luminoso
está moribundo, após suas principais lideranças terem sido presas.
Do lado das dificuldades, García não tem maioria legislativa; das 120
cadeiras do Congresso, 45 estão com o partido de Humala -o Apra do
presidente eleito tem 36. Seu maior problema, porém, é o de encontrar
formas para reduzir a pobreza, que no Peru atinge metade da
população. Terá em seu encalço um Humala fortalecido liderando a
oposição.

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