Entrevista:O Estado inteligente

sábado, junho 17, 2006

Folha de S.Paulo - Frankfurt - Clóvis Rossi: A Copa é mais profunda - 17/06/2006

Confesso uma dorzinha de consciência por estar acompanhando a Copa
do Mundo em um momento importante como é uma eleição presidencial.
Por isso, agradeço comovido a crônica de ontem de Nelson Motta, que
deu habeas corpus para todos os que aqui estamos, inclusive e
principalmente os que não são cronistas esportivos (embora, no fundo,
todos sejamos cronistas esportivos e cronistas políticos).
Mas agradeço acima de tudo ao candidato a vice-presidente de Geraldo
Alckmin, José Jorge, por ter provado que, em campanha presidencial, é
possível, sim, dizer mais bobagens do que todos dizemos em Copa do
Mundo (ou em outro evento esportivo).
Sua frase ("Temos um presidente que não trabalha, só viaja, que bebe
muito, como dizem por aí") é de uma irresponsabilidade espantosa.
Presidente que viaja, todos viajam nos tempos modernos. O presidente
da coligação PSDB-PFL, Fernando Henrique Cardoso, também era
criticado pela oposição por viajar.
Mas estava certo, como está certo Lula ao fazê-lo.
A questão a discutir é o conteúdo das viagens, coisa em que José
Jorge não entra porque exige uma profundidade que a chapa
oposicionista não mostrou até hoje.
Sobre o hábito de beber do presidente, todos podem "dizer por aí",
mas uma figura pública com um mínimo de responsabilidade não acolhe
levianamente aquilo que "dizem por aí".
Ao fazê-lo, dá o direito aos governistas de recolher tudo o que "se
diz por aí" dele próprio ou do candidato presidencial ou das grandes
figuras de ambos os partidos -e a campanha eleitoral ficaria muito
pior do que bate-boca de botequim após qualquer jogo da Copa.
Já até passou da hora de a chapa oposicionista dizer por aí como vai
jogar o Brasil se ela ganhar.

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