Estadao
Segundo o ex-presidente, Lula "fala, fala, fala e não diz nada" que "toque realmente a verdade"
Raquel Massote
BELO HORIZONTE - A tônica dos discursos na convenção nacional do PSDB foi de duras críticas ao PT. Mas coube ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso o ataque mais duro ao presidente Luís Inácio Lula da Silva, a quem chamou de "fanfarrão". FHC defendeu a candidatura de Alckmin, homologada hoje pelo partido.
"Geraldo (Alckmin) não será frouxo, trabalhará. Não fará propaganda o dia inteiro." Para o ex-presidente, Lula passou a ser simplesmente "fanfarrão, porque fala, fala, fala e não diz nada. Não diz nada que toque realmente a verdade". Ele disse também acreditar "em virada" nas pesquisas.
Antes dele, o pré-candidato tucano ao governo de São Paulo, José Serra, em um rápido pronunciamento, disse que o Brasil vive uma situação muito difícil. "Em relação à economia, está se hipotecando o futuro. O futuro é vítima de um efeito de irresponsabilidade. E, na área social, estamos vivendo um período no qual conta muito mais o marketing, muito mais a propaganda do que a substância", criticou. Já o candidato a vice na chapa de Alckmin, José Jorge (PFL-PE), conclamou os militantes para formar uma aliança contra a corrupção.
Fernando Henrique iniciou o discurso dizendo que o candidato do PSDB, Geraldo Alckmin, vai dar ao povo mãos limpas. E aproveitou para rebater críticas recorrentes de Lula a seu governo, dizendo que "ninguém começa do zero. Um país se faz com trabalho de gerações". Segundo ele, um presidente que começa dizendo "eu fiz" está mentindo. "Não fez nada, herdou. Herdou não de mim, herdou do trabalho de todos nós, de gerações de brasileiros. Geraldo é o herdeiro dessa geração de brasileiros."
Desilusão
Fernando Henrique admitiu que poucas vezes se emocionou tanto quanto no dia em que transmitiu o cargo a Lula. Ainda que, segundo ele, durante o seu governo, Lula não tenha dado uma palavra de compreensão para ajudá-lo a governar. Ele lembrou da trajetória do atual presidente e lembrou tê-lo conhecido em São Bernardo (SP), quando era líder sindical e apoiava a luta contra a ditadura. "Eu confesso, já farei 75 anos na semana que vem. Nesses 75 anos, poucas vezes me emocionei tanto, quanto no dia em que passei a faixa presidencial ao Lula."
Logo em seguida, ele enfatizou que também nunca teve "uma desilusão maior". Além de acusar o presidente de ter incorrido em vários itens da Lei de Responsabilidade, Fernando Henrique disse que Lula deixou que levassem ao lado de seu gabinete "a maior teia de corrupção que eu já vi nesse país".
Para o ex-presidente, os eleitores vão escolher entre duas pessoas, "uma que levantou esperanças e que tão rapidamente se esqueceu de tudo que se esperava dele e que pode até impressionar os mais incautos, mas perdeu a respeitabilidade". Ele enfatizou que é possível governar, mas é difícil sem ter o respeito. "O que aconteceu no Brasil foi a perda de respeito."
O ex-presidente disse acreditar que quem vai votar no candidato tucano "é o povo humilde". "Nós sempre fomos apoiados pelos trabalhadores, por aqueles que necessitam de apoio. Fomos apoiados não porque pagávamos movimentos, não porque cedíamos às invasões e à baderna, porque não cederemos. Fomos apoiados porque éramos honestos e tínhamos convicção. Quem não tem convicção, que muda de casaca como vimos nesses últimos quatro anos, não merece apoio dos trabalhadores e do povo", concluiu.