| O Estado de S. Paulo |
| 8/6/2006 |
Os mercados continuam entregues a enorme volatilidade. Câmbio, bolsas, juros futuros, preços dos ativos - tudo está sujeito ao treme-treme dos preços. Como a economia organizada não gosta do que não é previsível, essa gangorra agrava o nervosismo. Produz insegurança, grandes transferências de patrimônio, perdas para quase todos e maiores ainda para os que dão os passos mais desastrados. Até quando vai isso? Ontem, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, tentou acalmar os ânimos no Brasil quando disse que "a turbulência é leve; isso não vai muito longe". No entanto, tanto ele como os que insistem em que isso não passa de gripe à toa arriscam-se a erros de avaliação. Correm o mesmo risco os que apostam numa trombada iminente da economia mundial. A verdade é que ninguém tem certeza de como evoluirá a crise. A escalada dos preços do petróleo, a alta das commodities metálicas, a corrida aos ativos imobiliários - tudo isso acirrou a inflação americana, que agora pede contra-ataque. Tempos houve em que as autoridades do Grupo dos Sete países mais ricos do mundo se reuniam num hotel famoso - como aconteceu no Acordo do Plaza, em 1985 - para coordenar o ataque à crise. Mas hoje há pelo menos meia dúzia de novos players no mercado global que repelem interferências. Por maiores que sejam as pressões das autoridades do Tesouro americano, os chineses não estão interessados na revalorização do yuan, a moeda local. Isso significa que os ajustes dependem mais das forças de mercado do que da ação conjunta dos governos. E, quando é assim, tudo fica menos previsível. Juros são como espuma de chope, que se sustenta sem entornar até um dedo acima do copo. Mas chega o nível em que transborda. Qual será esse nível? Em meados de abril, um dos diagnósticos correntes entre os analistas era o de que o Federal Reserve (Fed, banco central dos Estados Unidos) errara na mão quando calibrara os juros (Fedfunds) nos 4,75% ao ano. Para eles, era inevitável a parada técnica para permitir que a terapia monetária produzisse efeitos. No dia 10 de maio, os juros americanos foram a 5,0% ao ano e, de lá para cá, não se viu mais ninguém apontando exagero no Fed. Agora, a pergunta de alguns bilhões de dólares é saber até onde a espuma do chope pode ir sem provocar recessão. Há duas semanas, os mercados parecem ter entendido que vai ser preciso novo aperto. Pelo comportamento dos mercados futuros, mais 0,25 ponto porcentual no dia 29 de junho é dado como fava contada. Alguns analistas têm afirmado que é preciso esperar até lá para saber aonde pode ir a volatilidade. No entanto, mesmo isso é prematuro afirmar, porque se vier nova alta dos juros, como se espera, o mercado continuará se perguntando se o teto dos juros não acabará mais acima. O novo presidente do Fed, Ben Bernanke, se esforça por ser transparente. O que se depreende dessa transparência é que nem ele tem certeza de qual deve ser o nível dos juros para que a inflação americana seja controlada. O que já dá para saber é que, em conseqüência do aperto monetário nos Estados Unidos, em 2007 a atividade produtiva mundial crescerá abaixo dos 4,9% que deverá crescer neste ano. |
Entrevista:O Estado inteligente
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quinta-feira, junho 08, 2006
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