Entrevista:O Estado inteligente

sexta-feira, junho 09, 2006

A bola vai rolar Por Lucia Hippolito

BLOG Noblat

 

Por Lucia Hippolito, cientista política e torcedora apaixonada, especial para o blog:

 

"É hoje! Há dias estou tendo pesadelos. Sonho com Júnior Baiano, Roque Júnior, Lúcio. Já sonhei até com Wilson Piazza.

Minha bandeira já está lavada e passada, esticada na minha janela. A bandeirinha do meu carro já está a postos. Atrevida, metida, ventando feito louca.

 

Noblat, meu amigo querido, me enviou uma camisa canarinho. Vou vestir, tirar uma foto, levar fé. Amigo é para essas ocasiões sagradas.

 

É isso mesmo, eu adoro futebol. Sou Flamengo até morrer, mas a Seleção é a pátria de chuteiras.

 

Os mais jovens talvez não se lembrem – e não há nenhum demérito nisso. Mas em 58, eu ouvi pelo rádio, em Garça, no interior de São Paulo, a Copa da Suécia. Pelo rádio, ao lado do meu pai, que um ano antes tinha me levado ao estádio do Noroeste, em Bauru, para assistir a Noroeste e Santos.

 

E eu vi, com esses olhos que a terra há de comer, um neguinho magrinho, jeitoso, engraçado, jogando com alegria e derrotando todo o time adversário.

 

Não, jovens de hoje, não era Robinho, mas poderia ter sido. Era ELE, em pessoa, Pelé, no despertar de seus (dele) 17 anos. (Sim, fofoqueiros de plantão, eu tinha sete, portanto, hoje tenho 56).

 

Naquele dia, minha vida mudou. Eu até já tive a ocasião de contar isso ao próprio Pelé.

 

Futebol é assunto seriíssimo. Copa do Mundo, então, é melhor que Goethe, melhor Shakespeare. Como disse alguém, futebol não é caso de vida ou morte. É muito mais importante.

 

Nossa seleção atual é ótima. Somos favoritos, é verdade. Quem é pentacampeão, quem tem os melhores jogadores do mundo, quem tem o melhor banco de reservas do mundo, é claro que é favorito. E daí? Vai fingir que não é?!

 

Humildade fingida é coisa de gente muito burra ou muito arrogante, coisa que a seleção canarinho não é. É apenas a melhor do mundo. Agora, salto alto é outra coisa. É bom descer do salto e jogar para valer, com alegria, com fome, com entusiasmo. E, sobretudo, com aquilo que diferencia a seleção brasileira de todas as outras. Nós somos ELEGANTES.

 

Gosto de todos? Não, mas me acostumei desde 58 com jogadores de que gosto mais e jogadores de que não gosto tanto.

 

Acho que vai ser a Copa de Kaká. Ele é o cara! Ronaldo é nosso garoto do coração, Robinho é o moleque, menino travesso, Garrincha neguinho. Não gosto tanto de Ronaldinho Gaúcho. Jogador de clube, marrento demais. Marrento por marrento, prefiro Romário, que nunca posou de bom moço.

 

Hoje, quando a bola rolar, quando Alemanha e Costa Rica se enfrentarem, significa que o mundo vai parar.

 

E eu aqui, de camisa amarela, enrolada na bandeira brasileira, chorando e rezando, torcendo feito louca".


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