fsp
Na coluna de ontem, mostrei argumentos a favor da transposição do rio São Francisco. Os argumentos contrários são também bastante consistentes. Passo a um resumo deles, para tentar organizar a discussão (pelo menos na minha cabeça):
As restrições são da seguinte ordem:
1) A disponibilidade de água para a transposição.
Os defensores comparam a vazão constante de 26 m3/segundo com a capacidade do rio, podendo ir a 127 m3/s dependendo da vazão, para um total de 2.800 m3/s. Os críticos rebatem. O Comitê de Bacia alocou 360 m3/s para fins de irrigação e energia. Desse total, 335 m3/s já estão alocados, o que tornaria o disponível muito pouco para justificar um investimento de US$ 5,5 bilhões.
2) Produção de energia.
Segundo os críticos, haverá uma perda de 3,4% na geração de energia (pela menor disponibilidade de água) e outra equivalente para poder elevar as águas a 165 metros. Essa elevação encarecerá o custo da água para irrigação.
3) Custo versus benefício para irrigação.
Na região de Petrolina e na bacia do São Francisco, o custo da água para irrigação é de R$ 0,023 por m3/s. Nas regiões receptoras, não sairá por menos de R$ 0,11 por m3/s, sem computar os custos com energia para elevação da água e com o bombeamento até as propriedades a serem atendidas e sem computar os custos financeiros do investimento. Por outro lado, o potencial irrigável da bacia do São Francisco é de 3 milhões de hectares, mas só 340 mil estão irrigados. A ampliação exigirá água, energia e investimento. Como dispor de uma água se na própria bacia há esse potencial a ser atendido?
4) O investimento está superdimensionado.
Na maior parte do tempo, o sistema consumirá 26 m3/s. Só quando 94% da capacidade de Sobradinho estiver preenchida o sistema trabalhará a plena carga, a 127 m3/s. Só que essa circunstância -de Sobradinho cheio- ocorre apenas de 15% a 20% do tempo.
5) Os dados sobre carência de água no semi-árido estão incorretos.
Segundo os críticos, os estudos basearam-se na soma dos municípios carentes, sem computar o excedente nos municípios sem problemas. Se existe excedente, haveria muito maior economicidade realocando a água excedente da mesma região. Segundo os críticos, as águas dos açudes da região podem irrigar 700 mil hectares de semi-árido, mas só irrigam 120 mil ha. A regularização das águas dos açudes já tornaria a região auto-suficiente. Pelas contas, 63,5 m3/s, bombeados 24 horas por dia por nove meses, produziriam o equivalente a 3,9% da capacidade instalada dos açudes da região.
6) O tempo de maturação do investimento.
Estudo do Banco Mundial, de 1999, avaliou que os resultados de investimento em grandes projetos hídricos e de irrigação começam a aparecer apenas de 10 a 20 anos depois. Por isso mesmo, a melhor relação custo/ benefício seria trabalhar à jusante -isto é, investir nas áreas já atendidas pela bacia.
Como o tema é complexo, a discussão continuará nas próximas colunas.
Artigos e a íntegra de vários desses documentos podem ser encontrados no endereço
Entrevista:O Estado inteligente
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