Entrevista:O Estado inteligente

terça-feira, outubro 11, 2005

JANIO DE FREITAS O plano de fuga

fsp
 
A denúncia de favorecimentos da Presidência, por diferentes setores, ao filho do então ministro José Dirceu não se limitou a dificultar a situação do próprio Dirceu. Também perturbou uma operação conduzida pelo Planalto para obter a renúncia coletiva, ainda que não simultânea, dos petistas sujeitos à cassação.
O plano da renúncia geral não tem a ver com o propósito, alegado por ministros e por deputados petistas, de abreviar a crise, segundo desejo de Lula. A idéia é que a renúncia custaria muito menos à imagem do governo e do PT do que a cassação, mesmo que só de um ou outro. Sempre seria possível explicá-la como gesto para evitar injustiça e, em pouco tempo, vê-la diluída na memória pública e definitivamente sepultada por nova candidatura a deputado no ano que vem.
Para dar sentido à manobra, conviria que renunciassem todos os petistas. A insistência de José Dirceu em que é inocente e, portanto, pronto a enfrentar o julgamento, deixaria os renunciantes como reconhecedores de culpas que sujeitam à cassação. A participação do próprio Lula, na semana passada, na pressão pela renúncia dos petistas teve a função, ao menos em parte, de uma mensagem a José Dirceu. Houve quem chegasse a dizer que tudo se acertava, com a justificativa de tratar-se de ação partidária.
As conversações foram atingidas em cheio pela denúncia de favorecimentos ao filho de Dirceu. As pressões voltaram-se em massa para a possibilidade de protelação do prazo de renúncia (em princípio, até hoje), com um pedido de vista do processo a ser feito pelo deputado alagoano João Caldas. Mas a protelação, por si só, não resolve o que é dado como o novo motivo de resistência de José Dirceu ao ato coletivo. A renúncia, agora, poderia ser interpretada como assentimento de culpa, no mínimo, de favorecimentos ao filho no Gabinete Civil. Embora Dirceu sustente que o mandato de deputado não pode ser julgado por seus atos lá.
E o plano ainda foi posto sob o susto Raul Pont, com seu desempenho no segundo turno da eleição petista: a vitória de Pont anularia o compromisso de legenda garantida, na eleição do ano que vem, para os petistas renunciantes por envolvimento com o dinheiro de Valério.

Folga
Lula viaja de Brasília ao Rio e daí passa a Niterói, nem sequer para uma inauguração menor, mas para a simples formalização de uma concorrência para construção de navios da Petrobras. Bela segunda-feira, depois de uma sexta-feira dedicada a solidarizar-se com os parlamentares do PT de Valério e, no meio, um fim de semana de descanso.
Ainda por cima, não foi o governo Lula, mas o governo do Estado do Rio que batalhou, com a colaboração de alguns engenheiros da Petrobras, pela reativação da outrora poderosa indústria naval carioca e fluminense. Esse início de reativação custou até muita briga com o governo Lula, sempre contrário ao Rio.

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