Entrevista:O Estado inteligente

sábado, outubro 08, 2005

FERNANDO RODRIGUES Um BC de oposição

FSP
 BRASÍLIA - O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, convidou para uma conversa reservada em sua casa um dos principais opositores do Palácio do Planalto, o líder do PFL, Rodrigo Maia (RJ).
Meirelles queria saber mais detalhes do projeto de lei do pefelista sobre a independência do BC. Conversaram por duas horas na quarta-feira à noite. O guardião da moeda tem particular interesse em um aspecto: quem ficará no comando da instituição se a legislação for aprovada.
Resposta: se a lei defendida pelo PFL vingar, o primeiro presidente do BC será quem já estiver no cargo naquele momento. Ficará com a cadeira por dois anos.
Eis aí a razão de Meirelles maquinar contra o desejo do presidente da República e do ministro da Fazenda. Lula e Palocci não querem nem saber de independência do BC agora.
O sonho de Meirelles é voltar a ser político por Goiás. OK. Cada um sonha com o que bem entende. O presidente do BC passou os últimos quatro meses recebendo prefeitos, vereadores e deputados do baixo clero goiano. No mês passado, deu uma palestra sobre o futuro da economia no auditório do Senac de Anápolis. Queria filiar-se a um partido político, mas ficar no cargo no BC até abril de 2006.
Aí entraram Lula e Palocci. Disseram que não teria cabimento um presidente do BC com pretensões eleitorais. Ainda na quinta-feira passada, véspera do prazo para filiações partidárias válidas para 2006, Meirelles tentou novamente emplacar seu desejo. Recebeu um sonoro não como resposta do ministro da Fazenda. O clima ficou esquisito.
Ato contínuo, o presidente do BC parou de se interessar por vereadores e prefeitos goianos. Sem filiação partidária, passou a ter preocupações mais elevadas. Chamou o líder do PFL para tratar de uma lei que não interessa ao governo.
A última desgraça esperada por Lula era um BC de oposição. O risco de tal anomalia não é desprezível.

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