Entrevista:O Estado inteligente

terça-feira, outubro 11, 2005

EDITORIAL DA FOLHA DE S PAULO LULA EM SEU LABIRINTO

 A defesa que o presidente da República fez de correligionários petistas na fila da cassação e outras manifestações recentes parecem indicar que Luiz Inácio Lula da Silva está convencido de que a crise não passa de uma construção política para derrotá-lo. Em outras palavras, atestam a sua incapacidade de reformar procedimentos que tornaram possível o escândalo do "mensalão".
Ponham-se de lado, por insondáveis, os pressupostos do cálculo político que levaram o presidente da República -após quatro meses de uma crise que atingiu em cheio seu partido, seu governo e sua base parlamentar- a trazer para dentro do palácio deputados que comprovadamente usufruíram do "valerioduto".
Mas Lula não parou nisso. De acordo com o relato dos presentes, tranqüilizou os cassáveis afirmando que não são "corruptos"; que cometeram "erros", embora não de corrupção -foi o mesmo Lula que, no passado, disse de Roberto Jefferson, em sinal de confiança cega, que lhe passaria um cheque em branco.
E foi além. Ao explicitar o que, na sua opinião, foi o maior "erro" do PT-o de não ter assumido a versão do financiamento paralelo de campanhas desde o início-, supondo que o caixa dois seja uma prática mais palatável para a opinião pública, Lula lembrou uma entrevista que concedeu em julho em Paris, um de seus piores momentos na crise.
Na reunião de sexta com os petistas, coube ao ministro Antonio Palocci reavivar explicitamente a "tese" parisiense: o caixa dois seria uma prática de todos os partidos -e, portanto, condenar os petistas por algo que todos fazem seria injusto.
O presidente da República e um ministro de Estado, de suas cadeiras, não fazem outra coisa nesse episódio que abonar uma irregularidade. Parlamentares da base aliada receberam milhões em dinheiro ilegal, a mando do então tesoureiro do PT, em benefício lógico do governo Lula. Isso está provado. O fato de os recursos terem ido para gastos pessoais, empresariais ou de campanha não absolve quem os recebeu.

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