Entrevista:O Estado inteligente

terça-feira, outubro 11, 2005

EDITORIAL DA FOLHA DE S PAULO CRÉDITO NO LIMITE

 O volume do crédito consignado, com desconto em folha de pagamento, atingiu R$ 20,7 bilhões em agosto. Segundo o Banco Central, mais que dobrou em 12 meses. As taxas de juros (em torno de 36,6% ao ano) menores do que as do crédito pessoal (77,1%) e prazos de amortização que podem chegar a 36 meses ajudaram as prestações a caber no orçamento doméstico. Essa nova modalidade de empréstimo permitiu a muitos ampliar suas compras e/ou reduzir suas dívidas antigas.
Mas a expansão desses empréstimos pode estar encontrando seus limites. As prestações comprometem a renda futura e limitam os gastos em consumo, sobretudo se a economia não ampliar a geração de emprego e de renda. O grande número de aposentados e pensionistas que aderiram aos créditos consignados já provocou queda nas vendas do comércio varejista, principalmente em municípios do Nordeste com até 20 mil habitantes. Os recursos dos aposentados e o salário dos funcionários das prefeituras são as principais fontes de renda das pequenas cidades.
Há ainda um razoável contingente de trabalhadores ativos e inativos que podem tomar novos créditos consignados. Entre os aposentados, por exemplo, em torno de 24% do total de 18,9 milhões dos beneficiários do INSS já tomaram empréstimos consignados, de acordo com o Ministério da Previdência. A grande maioria (97,8% do total) permanece pagando as prestações para quitar as dívidas.
Porém o baixo nível de renda da população pode dificultar o pagamento dos juros e ampliar a inadimplência no comércio varejista e no sistema bancário. Cerca de 49% dos segurados da Previdência que tiveram acesso a empréstimo consignado recebem até um salário mínimo mensal.
A introdução de novas formas de crédito ao consumo é bastante benéfica para a economia, mas, sem o crescimento do emprego e dos salários, a expansão que elas ajudaram a impulsionar no curto prazo provavelmente terá fôlego restrito.

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