Jornal O Globo
São as revistas francesas “Le Nouvel Observateur” e a portuguesa
“Visão” que denunciam: grupos de torcedores brasileiros se
organizaram e decidiram partir para a Alemanha levando na bagagem
prostitutas do país. A providência, porém, parece desnecessária, já
que as matérias informam também que o governo alemão, que legalizou a
profissão em 2002, vai oferecer aos milhões de forasteiros que espera
receber durante a Copa várias opções na forma de megabordéis ou
supermercados de sexo, dos quais o mais moderno é o Ártemis, em Berlim.
Esses “fast-foods especializados em carne fresca” estão sendo
acusados pelas entidades que combatem o tráfico e defendem a condição
feminina de reduzirem as mulheres ao papel de servidoras sexuais dos
homens. Os protestos aumentaram quando se descobriu um “Guia de
viagem para mulheres” destinado a jovens ucranianas que pretendem
trabalhar como prostitutas enquanto se realiza o campeonato mundial
de futebol. Nessa publicação de um ministério da Alemanha, sugere-se
às candidatas que evitem aborrecimento com a polícia entrando pela
“fronteira verde”, ou seja, clandestinamente, por uma zona não vigiada.
Redigido em russo, o manual escandalizou e foi logo retirado de
circulação, mas não a tempo de impedir a constatação de que o governo
alemão estava agindo hipocritamente em relação à prostituição: de um
lado legaliza e de outro estimula a clandestinidade. O técnico da
seleção francesa Raymond Domenech foi um dos que se indignaram:
“Estou chocado por se falar de mulheres assim, como escravas e como
gado.”
Outras vozes se levantaram para questionar a própria legalização, tal
como é adotada na Europa: “A prostituição livre é um logro. As
mulheres que pretendem exercer a profissão por prazer ou venalidade
não têm livre arbítrio”, afirma uma deputada sueca do Parlamento
europeu. Não por acaso, ela acrescenta, os próprios traficantes se
tornaram “defensores ardentes da liberdade”. Isso porque um poderoso
lobby de proxenetas se apropria de jovens em uns países e as vende
para outros. Segundo um sociólogo canadense, há muito mais tráfico
onde a profissão é ofício (Alemanha e Holanda): “As clandestinas,
como qualquer trabalhador, são muito mais rentáveis.” Como nem sempre
as prostitutas querem ser oficializadas, convivem nos bordéis as
oficiais e as ilegais.
Chamado a opinar, o presidente da FIFA, Joseph Blatter, driblou e
tirou o corpo fora. Mas algumas federações estão estimulando seus
torcedores a, “antes de consumir”, informarem-se sobre a legalidade
ou não do “produto”. As reportagens não dão detalhes sobre a solução
brasileira de levar de casa em vez de comprar fora. Não dizem, por
exemplo, se é para uso próprio ou para revenda.
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Os atos de vandalismo e baderna contra o Congresso merecem o mesmo
repúdio dos atentados de São Paulo.