BLOG JORNALISTA DIEGO CASAGRANDE
11.06, 14h01
Escrevi este texto anteontem. Só agora estou publicando. Mas os
desdobramentos confirmam o que avancei.
O que acontecerá depois da invasão da Câmara dos Deputados pelo tal
MLST? Duas coisas podem acontecer. Lula pode deixar por isso mesmo,
condenando formalmente o ocorrido. Ou Lula e o PT podem aproveitar
para demonizar o MLST de Bruno Maranhão, dizendo, como aliás já
adiantou o líder Fontana, que ele não fala pelos movimentos sociais e
nem pelo partido. Como se o governo ou o PT pudessem dizer quem fala
e quem não fala pelos movimentos sociais. É isso mesmo. O MLST de
Bruno não está sob a área de influência da tendência majoritária, a
tendência Articulação, de Lula. Já o MST... é outra história. Gente
do PT teve ligações estreitas com a organização política que,
provavelmente, está na camada interior da cebola chamada MST.
Entenderam?
Quem está no governo não é propriamente o PT e sim a tendência de
Lula e Dirceu e Gushiken e Dulci e Palocci e Silvinho e Delúbio e
Berzoini. Não adianta quererem nos enganar dizendo que a Articulação
acabou. Não acabou coisa nenhuma. Foi ela, fundamentalmente, que
inventou a farsa do "Campo Majoritário" (com a ajuda vergonhosa de
Genoino). Foi ela que ficou com a parte do Leão, concedendo um ou
outro carguinho, aqui e acolá, para as demais tendências. Bruno
sempre foi ultra-minoritário dentro do PT. E sempre foi, à sua moda,
"revolucionário".
Mas o MST - aquele protegido pela Articulação de Lula e Dirceu -
também pratica vandalismo. Não se pode agora tentar limpar a barra do
MST, dizendo que o movimento é sério e nunca teria feito uma coisa
semelhante a que fez o MLST.
Tudo indica que o MST é um movimento social que abriga no seu
interior uma organização política. Isso é mais ou menos evidente.
Entre essa organização política e o grupo político estratégico
próximo à Lula, abrigado dentro da tendência Articulação, é provável
que existam laços fortes. Para ver se a hipótese é plausível bastaria
fazer uma pesquisa onde o MST começou, quem são os seus líderes e
quem foram os seus assessores, quem os abrigou e assessorou na
capital de São Paulo.
Digo essas coisas porque o perigo maior - como Antonio Fernandes
cansou de dizer no e-Agora, desde 2003 - não são os "xiitas" do PT e
sim os "sunitas". Bruno Maranhão é "xiita". Mas a quadrilha
denunciada pelo Procurador Geral da República contém fundamentalmente
"sunitas". O MST sempre foi protegido pelos "sunitas". Para se
salvarem, os "sunitas" podem agora ficar tentados a entregar os
"xiitas" ao carrasco.
Os "sunitas" são infinitamente mais perigosos do que os "xiitas".
Enquanto estes últimos fazem baderna e quebram algumas vidraças, os
primeiros quebram a institucionalidade, infestam as instituições,
pervertem a política e ameaçam seriamente a democracia ao parasitá-la
para expandir e perpetuar o seu esquema de poder.
Quem permanecerá no poder com a reeleição de Lula são os "sunitas",
não os "xiitas". Para posar de bons moços no período eleitoral, não é
improvável que Lula e o PT façam um expurgo dos poucos "xiitas" que
restam (parte já saiu, para o PSTU e, depois, para o PSOL). Mas se
for necessário entregar cabeças para manter a quadrilha, arrumarão
mais alguns desavisados, como o incorrigível Bruno Maranhão.
A quadrilha de que falou o Procurador Geral é basicamente "sunita".
Fizeram o que fizeram e nada aconteceu. Estão aí, andando de jatinhos
ou jatões, livres e soltos.
As oposições e a maior parte da imprensa, jamais entenderam essas
coisas. Por isso não conseguiram divisar a ameaça que paira sobre
nós, ao não interpelar o chefe "sunita", facilitando a sua
recuperação e aumentando as chances da sua reeleição.