Entrevista:O Estado inteligente

segunda-feira, junho 12, 2006

PARA QUEM NÃO ENTENDE DE PT (NEM DE MST) por Augusto de Franco

BLOG JORNALISTA DIEGO CASAGRANDE

11.06, 14h01

Escrevi este texto anteontem. Só agora estou publicando. Mas os
desdobramentos confirmam o que avancei.

O que acontecerá depois da invasão da Câmara dos Deputados pelo tal
MLST? Duas coisas podem acontecer. Lula pode deixar por isso mesmo,
condenando formalmente o ocorrido. Ou Lula e o PT podem aproveitar
para demonizar o MLST de Bruno Maranhão, dizendo, como aliás já
adiantou o líder Fontana, que ele não fala pelos movimentos sociais e
nem pelo partido. Como se o governo ou o PT pudessem dizer quem fala
e quem não fala pelos movimentos sociais. É isso mesmo. O MLST de
Bruno não está sob a área de influência da tendência majoritária, a
tendência Articulação, de Lula. Já o MST... é outra história. Gente
do PT teve ligações estreitas com a organização política que,
provavelmente, está na camada interior da cebola chamada MST.
Entenderam?

Quem está no governo não é propriamente o PT e sim a tendência de
Lula e Dirceu e Gushiken e Dulci e Palocci e Silvinho e Delúbio e
Berzoini. Não adianta quererem nos enganar dizendo que a Articulação
acabou. Não acabou coisa nenhuma. Foi ela, fundamentalmente, que
inventou a farsa do "Campo Majoritário" (com a ajuda vergonhosa de
Genoino). Foi ela que ficou com a parte do Leão, concedendo um ou
outro carguinho, aqui e acolá, para as demais tendências. Bruno
sempre foi ultra-minoritário dentro do PT. E sempre foi, à sua moda,
"revolucionário".

Mas o MST - aquele protegido pela Articulação de Lula e Dirceu -
também pratica vandalismo. Não se pode agora tentar limpar a barra do
MST, dizendo que o movimento é sério e nunca teria feito uma coisa
semelhante a que fez o MLST.

Tudo indica que o MST é um movimento social que abriga no seu
interior uma organização política. Isso é mais ou menos evidente.
Entre essa organização política e o grupo político estratégico
próximo à Lula, abrigado dentro da tendência Articulação, é provável
que existam laços fortes. Para ver se a hipótese é plausível bastaria
fazer uma pesquisa onde o MST começou, quem são os seus líderes e
quem foram os seus assessores, quem os abrigou e assessorou na
capital de São Paulo.

Digo essas coisas porque o perigo maior - como Antonio Fernandes
cansou de dizer no e-Agora, desde 2003 - não são os "xiitas" do PT e
sim os "sunitas". Bruno Maranhão é "xiita". Mas a quadrilha
denunciada pelo Procurador Geral da República contém fundamentalmente
"sunitas". O MST sempre foi protegido pelos "sunitas". Para se
salvarem, os "sunitas" podem agora ficar tentados a entregar os
"xiitas" ao carrasco.

Os "sunitas" são infinitamente mais perigosos do que os "xiitas".
Enquanto estes últimos fazem baderna e quebram algumas vidraças, os
primeiros quebram a institucionalidade, infestam as instituições,
pervertem a política e ameaçam seriamente a democracia ao parasitá-la
para expandir e perpetuar o seu esquema de poder.

Quem permanecerá no poder com a reeleição de Lula são os "sunitas",
não os "xiitas". Para posar de bons moços no período eleitoral, não é
improvável que Lula e o PT façam um expurgo dos poucos "xiitas" que
restam (parte já saiu, para o PSTU e, depois, para o PSOL). Mas se
for necessário entregar cabeças para manter a quadrilha, arrumarão
mais alguns desavisados, como o incorrigível Bruno Maranhão.

A quadrilha de que falou o Procurador Geral é basicamente "sunita".
Fizeram o que fizeram e nada aconteceu. Estão aí, andando de jatinhos
ou jatões, livres e soltos.

As oposições e a maior parte da imprensa, jamais entenderam essas
coisas. Por isso não conseguiram divisar a ameaça que paira sobre
nós, ao não interpelar o chefe "sunita", facilitando a sua
recuperação e aumentando as chances da sua reeleição.

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