| artigo - |
| Valor Econômico |
| 8/5/2006 |
Começo hoje um conjunto de quatro artigos que discutirão os pilares das propostas de governo para a gestão de 2007/2010, seja ela associada à reeleição do presidente ou à opção do eleitorado pela oposição. Ter uma agenda de reformas é importante pois, qualquer que seja o vencedor, irá se defrontar com os mesmos desafios. O que farei neste e nos próximos encontros com o leitor é o esboço de aspectos de um programa de governo no campo econômico, parte de um projeto de país que penso que não deveria depender de quem for o vencedor em outubro. Há três blocos de reformas, cada um deles a serem explorados nos próximos artigos. O primeiro diz respeito à Previdência, que implica mudar vários dispositivos cruciais que definem as regras de aposentadoria. O segundo bloco de medidas se refere à reforma política, algo que, em função do chamado "escândalo do mensalão", converteu-se em um clamor nacional. O terceiro conjunto de propostas trata de questões diversas, envolvendo desde uma agenda fiscal de longo prazo, até a concessão de autonomia ao Banco Central. É necessário esclarecer o porquê dessas escolhas. A reforma previdenciária é o desafio econômico mais importante que a sociedade brasileira tem pela frente. A despesa do INSS mais do que triplicou como proporção do PIB em pouco mais de 15 anos, quando a transição demográfica mal começou. Ou o país se convence de que isso é um problema maiúsculo ou podemos esquecer a pretensão de crescer a uma taxa muito maior que a dos últimos 15 anos. A paralisia nesse campo matará o futuro. O Brasil pode se revelar inviável se não mudarmos os parâmetros de aposentadoria. Executivo deveria começar as reformas com uma mudança administrativa, reorganizando a estrutura de ministérios em um número enxuto de pastas As outras reformas são menos controversas, tendem a enfrentar menores resistências e serão explicadas no artigo correspondente. Dito isso, temos que partir de quatro pressupostos: 1) no próximo governo, o país continuará tendo que mudar a Constituição; 2) o presidente, qualquer que seja o vencedor daqui a alguns meses, provavelmente terá em 2007 um partido com apenas cem deputados ou menos; 3) reformar a Constituição implicará formar uma aliança de governo de pelo menos quatro partidos; e 4) em 2008 teremos eleições municipais, motivo pelo qual a "janela" para aprovar grandes reformas no Congresso deverá se fechar em torno de 15 a 16 meses depois do governo se iniciar. Em tais condições, não adianta ter ilusões: o campo para as reformas será limitado. Portanto, é fundamental que o presidente eleito defina as suas prioridades, o que significa ter claro o que não deverá propor, sob pena de que, diante de uma agenda de reformas múltiplas, na arena parlamentar ocorram vetos cruzados ("você me ajuda a derrubar a proposta A à qual eu me oponho e em compensação eu ajudo você a derrotar a proposta B que você quer barrar"). O Brasil tem espaço para fazer algumas reformas em 2007, mas não todas. Nesse sentido, deveriam ficar de fora a reforma (constitucional) tributária e a reforma trabalhista. Sei que isso frustrará boa parte do empresariado, mas essa postergação (para 2009?) seria um ato de sabedoria política. A reforma tributária é importante, mas há espaço relevante para avançar nas mudanças da legislação ordinária, que é o que se deve aproveitar. O componente constitucional da reforma diz respeito às regras do ICMS e, embora seja necessário encarar essa agenda em algum momento, seria um "tiro no pé" fazer isso em 2007, por uma razão elementar: o país pode conviver alguns anos com os problemas decorrentes do sistema atual nesse campo, sem custos muito expressivos, mas não pode se dar ao luxo de continuar ignorando o agravamento do problema previdenciário. E, quanto ao tema trabalhista, a solução disso passa pela desoneração de encargos, e no próximo governo ainda não haverá espaço fiscal para uma redução expressiva da carga tributária - que, porém, uma vez superada a crise fiscal, será viável à medida que nos aproximarmos do final da década. Deixo aqui, por último, meu apelo cívico por uma mudança administrativa do governo, que deveria ser a primeira das reformas, uma vez que ela dependerá do próprio presidente. O eleito daria um belo exemplo, por um lado, de austeridade e, por outro, de gestão, reorganizando a estrutura de ministérios em um número enxuto de pastas, dividindo estas em algumas poucas áreas funcionais e em algumas grandes estruturas temáticas. Por "pastas funcionais" entendo aquelas que, pela sua natureza, não devem ser objeto de fusão: Itamaraty, Casa Civil, Defesa e Justiça, que se manteriam intactas. Nas demais, seria desejável ter quatro blocos de políticas públicas: 1) a área econômica, mediante a fusão dos ministérios correspondentes; 2) a produtiva, retomando a idéia do Ministério da Produção que FHC cogitou mas não chegou a implementar; 3) a de infra-estrutura; e 4) a social. Algumas dessas áreas talvez não caibam sob o "guarda-chuva" de um único ministro e talvez uma unificação plena não seja politicamente viável. Entretanto, o mote da fusão de pastas deveria ser uma das principais prioridades em janeiro. Com 30 pastas, é impossível um governo funcionar bem! |
Entrevista:O Estado inteligente
- Índice atual:www.indicedeartigosetc.blogspot.com.br/
- INDICE ANTERIOR a Setembro 28, 2008
segunda-feira, junho 05, 2006
As reformas de 2007 (I): a organização do governo Fabio Giambiagi
Arquivo do blog
-
▼
2006
(6085)
-
▼
junho
(525)
- A Parte e O Todo - Alô, Geraldo: cuidado com a arm...
- Folha de S.Paulo - Luís Nassif: A Varig e o caso C...
- Folha de S.Paulo - Rio de Janeiro - Nelson Motta: ...
- Folha de S.Paulo - Brasília - Eliane Cantanhêde: A...
- Folha de S.Paulo - Bielefeld - Clóvis Rossi: Manua...
- Folha de S.Paulo - Editoriais: De novo? - 30/06/2006
- Eleição polarizada Blog do NOBLAT
- Merval Pereira Caminho perigoso- Jornal O Globo
- João Ubaldo Ribeiro Überrauschungen?- Jornal O Globo
- Luiz Garcia A Copa dos doentes- Jornal O Globo
- Miriam Leitão Dia de alívio- Jornal O Globo
- Euforia nos mercados CELSO MING Estado
- Dora Kramer Alckmin pensa em ir à Copa- Estado
- EDIDORIAL Estado Lamentação de fachada
- O custo da irresponsabilidade EDITORIAL Estado
- O nosso indefeso presidencialismo Sandra Cavalcan...
- Folha de S.Paulo - Alckmin sobe 7 pontos, mas Lula...
- Folha de S.Paulo - Eleições 2006/Datafolha: Sem En...
- Um BC excessivamente neutro editorial
- O novo ponto fraco do Brasil artigo - Rolf Kuntz
- Jeitinho republicano Coluna - Carlos Alberto Sarde...
- Em busca de brechas na lei
- A 5ª Internacional Artigo - Demétrio Magnoli
- 'Assim não dá! artigo - José Carlos Cafundó
- "Cantar a gente surda e endurecida" Artigo - MARCO...
- Míriam Leitão - A bem da verdade
- Merval Pereira - Os donos dos ovos
- Luís Nassif - A Cteep e a luta da Cesp
- Eliane Cantanhede - "Os melhores"
- Dora Kramer - Um conto mal contado
- Clóvis Rossi - Onde acertamos e onde erramos
- Celso Ming - Melhoram os sinais
- Carlos Heitor Cony - Os caçadores de rolinha Folha...
- Com Lula, sem futuro Roberto Macedo Estado
- Ministro diz que se sentia enganado pelo presidente
- REINALDO AZEVEDO A Parte e O Todo: Lula conseguiu ...
- O arrombamento das instituições artigo - Marco Ant...
- Os protestos a favor e a missa macabra- Rodrigues ...
- ENTREVISTA / REINALDO AZEVEDO
- A Parte e O Todo: tentando negar-se, PSDB cai de b...
- Míriam Leitão - Dribles na lei
- Merval Pereira - Qual dos dois?
- Luís Nassif - Subsídios para uma política de segur...
- Fernando Rodrigues - O engavetador da Câmara
- Élio Gaspari - A demofobia ajuda Lula, como ajudou...
- Clóvis Rossi - "Overdose" e ridículo
- Carlos Heitor Cony - Trivial variado Folha de S. P...
- Celso Ming - Concentração da produção ESTADO
- Vidas salvas EDITORIAL Estado
- O 'faz-de-conta' do respeito à lei EDITORIAL Estado
- O caminho 'de las piedras' Luiz Weis Estado
- Tal candidato, tal eleitor José Nêumanne
- Os maomés vão à montanha Dora Kramer ESTADO
- Folha de S.Paulo - Eleições 2006/Presidência: Publ...
- PT Novo tesoureiro também tem complicações O Estad...
- Amigo de Lula pode ter empresa banida do Senado O ...
- PCC convoca reservas para guerra O Estado de S. Paulo
- Lula quer que Diogo esqueça o que ele disse Blog d...
- O discurso de Lula e os farsantes por REINALDO AZE...
- Merval Pereira - Começa o jogo
- O problema da Previdência Artigo - ALI KAMEL
- O desafio de Lula EDITORIAL O Globo
- Afinal, que Estado queremos? Josef Barat
- A banalidade do mal
- Celso Ming - Falta de confiança
- Míriam Leitão - Caminho da Índia
- Dora Kramer - O mapa da mina A regra da reeleição ...
- Clóvis Rossi - "Essa gente"
- Celso Ming - Falta de confiança
- Arnaldo Jabor - Há Lulas que vêm para o bem
- Luís Nassif - É a realidade, estúpido
- Eliane Cantanhede - Guerra de monarcas
- Clóvis Rossi - "Essa gente
- Carlos Heitor Cony - Ovo frito
- AUGUSTO NUNES SETE DIAS JB
- AUGUSTO NUNES O palanque dos irresponaáveis JB
- Tolerância à inflação editorial O Estado de S. Paulo
- Não são as metas, estúpido artigo - Carlos Alberto...
- Frouxidão fiscal artigo - Martus Tavares
- Flagrante da crise da Justiça editorial O Estado d...
- A recompensa artigo - Denis Lerrer Rosenfield
- Dinheiro do Fundef é o maior alvo de desvios Demét...
- Ex-dirigente do MLST ocupa cargo de R$ 4.998 no go...
- Folha de S.Paulo - Rio de Janeiro - Carlos Heitor ...
- Folha de S.Paulo - Brasília - Fernando Rodrigues: ...
- FRASES FH
- Folha de S.Paulo - FHC reage a Lula e diz que PT s...
- VEJA O juiz está de olho
- VEJA Lya Luft Ensaio sobre a amizade
- VEJA O pit stop da Pixar
- As guerras de Jennifer VEJA
- VEJA A maçã podre que ninguém quer ver
- veja Ele quer fazer escola
- VEJA Choque de realidade
- VEJA Roberto Pompeu de Toledo Dois Ronaldos e o pa...
- VEJA André Petry Moralismo de araque
- VEJA Os melhores reservas do mundo
- AUGUSTO NUNES LIZ TAYLOR QUASE FOI PRIMEIRA-DAMA-JB
- Fwd: FERREIRA GULLAR - O preço da fama
- O insubstituível dólar CELSO MING Estado
- Que me desculpe Alckmin Mailson da Nóbrega Estado
- Lula quer acabar com as agências Suely Caldas Estado
- O preço moral da crise Gaudêncio Torquato Estado
- Até breve Paulo Renato Souza Estado
- Oposição não contesta reajuste Dora Kramer Estado
- João Ubaldo Ribeiro Jogos que vêm aí- Jornal O Globo
- Miriam Leitão O país não se vê- Jornal O Globo
- Merval Pereira Nome aos bois- Jornal O Globo
- Folha de S.Paulo - Luís Nassif: A Varig e a heranç...
- Folha de S.Paulo - Rubens Ricupero: Gato por lebre...
- Folha de S.Paulo - Ruy Fausto: Esquerda totalitári...
- Folha de S.Paulo - Rio de Janeiro - Carlos Heitor ...
- Folha de S.Paulo - Brasília - Eliane Cantanhêde: "...
- Folha de S.Paulo - Clóvis Rossi - Frankfurt: 1984 ...
- Folha de S.Paulo - PT usa cadastro do governo para...
- Folha de S.Paulo - Lula se vitimiza, ataca PSDB e ...
- VEJA Preço mais magro
- VEJA Homem com H, o retorno
- VEJA Os passageiros pagam a conta
- VEJACorrupçãO As ligações do secretário de Marta c...
- Se for reeleito, Lula terá base parlamentar encolhida
- VEJA Morre o petismo, nasce o lulismo
- VEJA Entrevista: Paul Johnson
- VEJA Diogo Mainardi Minha vida de Coiote
- VEJA Quando o cérebro é o médico...
- EDITORIAL OESP - O ápice fisiológico
- Capital estrangeiro na Varig CELSO MING Estado
- DORA KRAMER Uma CPI reportagem Comissão das sangue...
-
▼
junho
(525)
- Blog do Lampreia
- Caio Blinder
- Adriano Pires
- Democracia Politica e novo reformismo
- Blog do VILLA
- Augusto Nunes
- Reinaldo Azevedo
- Conteudo Livre
- Indice anterior a 4 dezembro de 2005
- Google News
- INDICE ATUALIZADO
- INDICE ATE4 DEZEMBRO 2005
- Blog Noblat
- e-agora
- CLIPPING DE NOTICIAS
- truthout
- BLOG JOSIAS DE SOUZA