Entrevista:O Estado inteligente

domingo, outubro 09, 2005

EDITORIAL DE O GLOBO Biografia em jogo




À medida que tramita o lote inicial de indicações para cassação formuladas pelas CPIs dos Correios e do Mensalão, é previsível que aumentem as pressões para a retirada de nomes da lista. O primeiro teste foi a passagem da relação de 13 deputados pela Corregedoria da Câmara. Por ela estar sob controle de um seguidor de Severino Cavalcanti, o deputado Ciro Nogueira, do PP piauiense, justificava-se o temor quanto ao destino que teria o relatório. Por pressão da opinião pública, o lobby do perdão prévio foi contido e o parecer pela manutenção do texto recebido das CPIs saiu vitorioso, mesmo que por apenas um voto.

Mas o risco de tudo virar uma indigesta pizza foi apenas adiado. Agora, cabe à Mesa da Câmara decidir o que fazer. Ela tem poderes amplos para qualquer coisa: simplesmente encaminhar o relatório ao Conselho de Ética, a partir do que os deputados indiciados não poderão mais se valer do recurso execrável de se auto-inocentar pela renúncia; ou alterar a lista, como se temia ocorresse sob o comando de Ciro Nogueira.

O presidente da Câmara, Aldo Rebelo, ex-ministro do governo de Luiz Inácio Lula da Silva, respeitável parlamentar comunista, chega ao mais importante momento da sua carreira de político. Rebelo afirmou que reservaria o fim de semana para estudar os processos.

Na verdade, não precisará gastar muito tempo nessa análise. Provavelmente, se dedicará a refletir sobre o seu futuro.

Aldo Rebelo decepcionará o baixo clero, os parlamentares envolvidos no mensalão e indicados à degola que tanto comemoraram de forma ostensiva a sua vitória na eleição da presidência da Câmara? Ficará do lado de sua biografia ou não?

O presidente da Câmara tem de ser justo, é claro. E também não pode se apegar a alianças políticas e a relacionamentos pessoais. Tampouco deve se submeter a pressões. Afinal, está em questão a imagem do Congresso. Por isso, Rebelo, na reunião decisiva que terá com os demais integrantes da Mesa na terça-feira, precisará propor o envio do relatório ao Conselho de Ética sem mudanças. A distribuição de dinheiro ilegal entre partidos e políticos pelo propinoduto do PT é fato comprovado. Qualquer decisão que não leve isso em conta afetará de forma irreversível a credibilidade do novo presidente da Câmara.

Arquivo do blog