Entrevista:O Estado inteligente

sábado, agosto 06, 2005

Tales Alvarenga Lula "Jatobá" da Silva

VEJA

"Lula é o nosso Jatobá barbudo. O país
está metido no maior escândalo político
da história e ele continua cego às evidências.
Delúbio Soares, Silvio Pereira
e José Dirceu
também não viram nada. Nesta terra de cegos,
Jefferson poderia ser rei"

Se em terra de cegos quem tem um olho é rei, devemos eleger Roberto Jefferson rei do Brasil. Sobre a quadrilha montada nos altos escalões do PT para beneficiar com doações um número imenso de petistas e aliados, o presidente Luiz Inácio "Jatobá" da Silva não viu nada, não ouviu nada, não percebeu nada, segundo afirma diariamente em seus discursos cheios de brio. O Jatobá original, personagem cego da novela América, da Rede Globo, é um desses tipos que sofrem de otimismo panglossiano. É cego, mas vê tudo cor-de-rosa. Lula é também um otimista sem causa. Para o presidente, o seu é o melhor dos governos possíveis, sua honestidade pessoal é a mais alta entre a de todos os brasileiros, e se a imprensa pensa diferente é porque ela só gosta de notícia ruim.

Lula é o nosso Jatobá barbudo. O país está metido no maior escândalo político da história e ele continua cego às evidências. Na terça-feira passada, seu ex-braço-direito José Dirceu era apontado pelo deputado Roberto Jefferson, na Comissão de Ética da Câmara, como o chefe da quadrilha que operava o mensalão. Pois nesse exato momento de vexame para o governo petista, Lula aparece dizendo que a imprensa é culpada pelo baixo-astral do país. Por quê? "Como minha mãe dizia, coisa ruim sempre tem privilégio sobre coisa boa no noticiário", explica o presidente. Se o otimismo de Lula for verdadeiro, ele é alienado. Se for falso, é desonesto.

O ex-tesoureiro do partido Delúbio Soares também não viu nada de anormal acontecendo. Apenas pagamento de dívidas de campanha eleitoral, afirmou ele na CPI dos Correios. Como se esse fosse um álibi para qualquer tipo de transação criminosa com dinheiro de "doadores" ou com contribuição extorquida por meio de tráfico de influência em órgãos do governo. Também nada viram de excepcional Silvio Pereira, que se demitiu da secretaria-geral do PT, Marcelo Sereno, expelido da Casa Civil, e Paulo Rocha, ex-líder do partido na Câmara, que recebeu "doações" da conta do publicitário Marcos Valério.

Diante dessa enxurrada de petistas cegos, aos quais se somam dezenas de outros políticos, entre petistas e não petistas, o deputado Roberto Jefferson, do PTB, viu até demais. Denunciou a roubalheira, deu nomes e disse quem fazia o que na quadrilha. Nada do que Roberto Jefferson revelou foi desmentido até agora. Até mesmo contra si próprio Roberto Jefferson depôs. Nunca alguém denunciou tanto e com tamanha eficácia. Nem Pedro Collor conseguiu detalhar o mapa da corrupção com as minúcias apresentadas agora por Roberto Jefferson.

Jefferson tem excelente domínio de palco. É destruidor no conteúdo, irônico no tom, melodramático nas pausas, quando dá tempo aos cérebros ouvintes de captar o alcance do que acaba de dizer. No silêncio, abaixa o tronco e a cabeça, eleva os olhos para seu alvo e faz com que aqueles olhos sombrios mostrem o tamanho de seu desprezo e a falta de limites de sua determinação. Na terça-feira passada, seu alvo era o deputado José Dirceu, que nada viu, nada fez. Jefferson, que também não é flor que se cheire, dá conta do panorama com pelo menos um olho confiável, aquele que não mente. O outro olho de Jefferson esteve pousado nas piores práticas políticas deste país, sem que ele fizesse denúncias. Não importa. Nesta terra de cegos, com apenas um olho bom, Jefferson poderia ser coroado rei.

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