Entrevista:O Estado inteligente

domingo, agosto 07, 2005

CLÓVIS ROSSI Mínima, talvez impossível

FOLHA DE S PAULO
 SÃO PAULO - Agora começo a acreditar que há de fato uma conspiração das elites, pelo menos das elites empresariais, contra o presidente da República, a julgar pelo que aconteceu nas audiências de anteontem.
Quem conspira a favor de alguém diz a verdade a esse alguém, em vez de levar, como os empresários fizeram, propostas que ou são inócuas ou nem sequer tangenciam o foco da crise. Insistir, por exemplo, na proposta de déficit nominal zero é jogar conversa fora, porque o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, já a descartou. E Lula faz apenas o que Palocci sugere, por incapacidade de elaborar ele próprio alguma alternativa.
Dizer a verdade ao presidente seria dizer simplesmente o seguinte: governe, Lula, em vez de ficar se agitando todo e falando, falando, falando, sem nada dizer. A fraseologia de Lula lembra Jânio Quadros e suas "forças ocultas": sempre há um sujeito oculto a não querer engoli-lo ou a querer fazer a crise maior que já é.
Tolice. O próprio Lula já disse, um dia, ter plena noção da gravidade da crise. Negá-la no dia seguinte só reforça a sensação de que o presidente perdeu a bússola.
Se a crise não fosse grave, por que fazer reforma ministerial para tentar superá-la?
Se a crise não fosse grave, por que o Congresso não faz nada além de girar em torno dela?
A tese de que a crise é do Congresso, mas não do Executivo, é risível, para não dizer coisa pior.
Ela só existe porque:
1 - Um funcionário dos Correios foi apanhado recebendo propina e apontou um esquema de corrupção na estatal a cargo de aliados do governo. Como os Correios são uma estatal vinculada ao Executivo, não ao Congresso, não dá para dizer "tira esse bicho daí".
2 - A compra de deputados foi praticada pelo partido do governo em nome de interesses do governo.
Chega, portanto, de papo furado. A agenda mínima é simples, mas talvez impossível: governar.

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